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sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Chão do Prado 2014


António João Paneiro Pinto. DOC Bucelas. Arinto, Esgana-Cão. Paulo Laureano (enol.). 12% vol. Cerca de 4 € (El Corte Inglés).

Cheira a pêra madura. Na boca sente-se o mesmo aroma, mas está um branco essencialmente citrino e muito vibrante. A par do Morgado de Bucelas (não comparando, mas será um exercício interessante), é um dos meus Bucelas preferidos: esperto, modesto, típico, livre de mariquices e saloiadas. Quer dizer, se é esperto e de Bucelas, pode-se falar em esperteza saloia. Mas não é nenhum «wine of Shakespeare». (Inventado por inventado, mais valia irem chul—chatear o Camões.) Rejubilemos.

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Bucellas 2011

Os clássicos redimem-nos. (É possível que eu lesse esta frase ao meu mestre das montanhas e neblinas — um mestre indeliberado, ausente e silencioso — Francisco José Viegas.) Os clássicos salvam-nos da presunção, da ignorância, das certezas absolutas. Os clássicos reconduzem-nos ao essencial.

O Bucellas é um velho companheiro de agruras, alegrias e de todas as horas entrecorridas. Bebo-o como um escudeiro sitibundo, «quando tenho vontade, e quando não a tenho, e quando mo dão, para não parecer demasiado cerimonioso ou malcriado». Inesquecível, aquele 2005 cujas alsacianas eu exinani pródiga e apaixonadamente; memorável, o 2013 de que tomei só dois ou três copos com o Onésimo, meu Capitão e mestre mundi, no passado Dia D, quando desembarcou em Bucelas, sem hesitações nem receios estratégicos ante a chuva copiosa.

Os clássicos marcam as nossas vidas. Os mestres também.

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Cavipor. DOC Bucelas. Arinto. João Vicêncio (enol.). 12,5% vol. 2,99 € (Intermarché).

Não sei bem dizer a que cheira. Cheira a coisas indecifráveis, a vento e pedras e despedidas. Não é que seja lírico, nem amaneirado, nem exótico. Os aromas de fruta que perduram são citrinos (digamos limão maduro); os melhores aromas de Bucelas ainda despontam. Bebê-lo é que é. A tal pectina, a tal esperteza, a tal espessura. A modéstia, senhores. A tal modéstia.

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Fontanário de Pegões 2013 (branco)

Coop. Agr. de Santo Isidro de Pegões. DO Palmela. Fernão Pires, Arinto. Jaime Quendera (enol.). 12,5% vol. 1,98 € (Pingo Doce).

O primeiro 2013 que saboreio, e, se não o primeiríssimo, um dos primeiros a chegar às prateleiras. Seja como for, um branco novinho em parra. José António Salvador considera-o um clássico e já se lhe referiu como «o melhor Fernão Pires da actualidade» — convite gentil e irresistível a engraçar com ele (o vinho). Não é um daqueles brancos agudos, como prefiro; mas eu gosto tanto de boas formas como qualquer um. Este é de perfil curvilíneo, com as redondezas naturais de um Fernão Pires tradicional, bem-cheiroso, não apenas a fruta mas a alguma ervinha tenra e vicejante, e fresco quanto baste. Gostei bem. Admitimo-lo ao cânone?

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Um verdadeiro entendido — um conhecedor — é assim que descreve a Fernão Pires:

«O carácter mais marcante da casta é, sem dúvida, a natureza e intensidade do seu aroma, podendo-se afirmar que é, entre as castas portuguesas, uma das mais aromáticas. Os seus aromas fazem lembrar frutos cítricos doces, como a laranja, e flores com aromas fortes e quentes, como a mimosa, a tília, a laranjeira e o loureiro. Estas notas aromáticas, parecidas com as de outras castas portuguesas, como a Alvarinho, a Loureiro, a Síria e a Antão Vaz, lembram um pouco os aromas do moscatel, sendo provável que todas elas lhe sejam próximas geneticamente.»

Virgílio Loureiro, no Guia Repsol 2004-2005 – Os Melhores Vinhos de Portugal

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Sai um Trinarintus!

Há dias, bebericando com desconsolo o Prova Régia de 2012 (o ex-Bucelas, se não já o anti-Bucelas — não desfazendo), lembrou-me este texto do mestre MEC. Piquinho e tudo.

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«Enquanto os tintos somam novas glórias, esperanças e curiosidades com cada mês que passa, os brancos tornam-se cada vez mais parecidos uns com os outros; mais adamados; mais frutados; mais parecidos com refrigerantes.

Se calhar é bom para quem gosta de beber fora das refeições e quer uma coisa fresquinha e pouco calórica com saborzinho a uva, a um breve passo do recente desmame de Trinaranjus, com a vantagem de se poder passar, à vista desarmada, por figurante do Sexo e a Cidade.
(...)
O vinho branco tornou-se, entre nós, numa bebida de senhoras; num instrumento dietético; num sumo de uva com piquinho; numa desgraça.»

Miguel Esteves Cardoso, em Com os Copos (2007)

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Quinta do Boição Arinto Reserva Bruto 2008


Enovalor. DOC Bucelas. João Vicêncio (enol.) (?). 12,5% vol. 5,90 € (Caves Velhas).

Aquele típico aroma de manteiga azeda (o melhor que há), mas em pétillant, em piquant, com mousse e beaucoup d'esprit. A pequena euforia — sobria ebrietas — que oferece uma garrafa de bom espumante... Não saberia distinguir este dos champanhes franceses. — É claro que saberia: os franceses, coitados dos pobrezinhos, não têm Arinto nem Bucelas.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Morgado de Bucelas 2012


Soc. Agr. Boas Quintas. DOC Bucelas. Arinto. Nuno Cancela de Abreu (enol.). 12,5% vol. 6 € (Restaurante Barrete Saloio, Bucelas).

Que alegria! Um Bucelas que desconhecia, logo inteiramente novo! E da lavra de Cancela de Abreu, esse santo que nos devolveu o Arinto! Viva Cancela de Abreu! Viva a acidez máscula dos melhores Bucelas! Abaixo os brancos redondos e mariconços! Viva o Barrete Saloio, que vende este vinho a seis euros! Viva quem pagou o almoço! Viva!

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Descobre-se na Internet que esta não é a primeira colheita do Morgado de Bucelas. A ficha técnica da anterior refere aromas de lima e maçã verde e caracteriza a prova como essencialmente fresca e mineral, o que é apenas acertado. Ao invés, o contra-rótulo deste 2012 anuncia um «vinho muito frutado» (no inglês, horror dos horrores, até o apodam de «exuberante»), com um sabor citrino e de frutos tropicais. Ora, senhores: o seu vinho tem atributos especiais, naturais, nobres e tradicionais; por que diabo o querem fazer passar por um branco chato, igual a qualquer outro?

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Sim, ele será excelente como aperitivo e com mariscos, peixes e «pratos ligeiramente picantes». Mas, para que conste, eu bebi-o com um naco de novilho à hortelão, a melhor apologia da osmazoma — e, ao mesmo tempo, da cenoura e dos brócolos — que conheço. E sabe o que lhe digo, amigo leitor? Viva o Bucelas com carne!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Adega de Pegões Colheita Seleccionada 2012


Coop. Agr. de Santo Isidro de Pegões. Regional Península de Setúbal. Arinto, Verdelho, Chardonnay, Antão Vaz. Jaime Quendera (enol.). 13% vol. 2,90 € (Jumbo).

Cheira bem como o carvalho, como a fruta que o pariu. Prefiro-o à mesa, mas faz um brilharete onde for.

sábado, 9 de março de 2013

Dona Ermelinda 2011 (branco)

Casa Ermelinda Freitas. DO Palmela (Fernando Pó). Fernão Pires, Arinto, Chardonnay. Jaime Quendera (enol.). 13,5% Vol. Cerca de 3 € (Intermarché).
Fruta madura (limão, melão, meloa?) e manteiga. Muito saboroso.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Prova Régia 2000

«Em 1987 a recém-criada empresa Alcântara Agrícola, SA, ligada ao grupo Tate & Lyle, adquiriu a Quinta da Romeira, com uma área rondando os 130 hectares. Aí procedeu à plantação de 80 ha de vinha, com as castas recomendadas para a região de Bucelas — Arinto (85%), Esgana-Cão (10%) e Rabo-de-Ovelha (5%). Tinha acabado de se iniciar um grande projecto vitivinícola, sob a batuta do conceituado enólogo Nuno Cancela de Abreu, que iria restituir à região e aos vinhos de Bucelas o fulgor dos séculos passados.»
Prova Régia 2000
Soc. Agr. da Quinta da Romeira de Cima. DOC Bucelas. Arinto. 12% Vol. 3,99 €.
Amarelo. Mais próximo a manteiga do que a mel, o aroma conserva algumas notas frutadas, principalmente citrinas. Semelhante na boca, amanteigado e ainda esperto.

terça-feira, 3 de abril de 2012

Sobre o Arinto derramado

Como sucede com livros e filmes, faço por não repetir vinhos. Se almejo a conhecer deles o maior número possível, e tão bons e variegados quanto os haja, é meu dever e meu escrúpulo só deitar mão às garrafas nunca dantes esvaziadas. Não terei tempo de provar muitas centenas de vinhos canónicos, os de antanho como os vindouros. Eis justamente porque é mister empregar cada moeda do erário vínico nesses que não bebi, e dar corpo ao meu próprio cânone.
Oh, mas as Circes e as sereias que a cada passo se insinuam! Sibilino apelo sussurrante de certas vasilhas d’Alsácia! Sabe Deus quantas verti daquele glorioso Bucellas 2005, ao cabo de apurado quatro anos…
O caso é que o meu enlevo hoje, embora outro, escorre de outra alsaciana, e tem outros quatro anos de apurado. Daqui a poucas garrafas, míseras 18, hei-de chorar um rio sobre o Arinto derramado. É o tal da Quinta de Chocapalha, que não verga o formoso nervo nem diante um risoto de grelos com Roquefort. Com Roquefort, senhores!

Arinto com taça de grelos, livros e lunetas

A cada novo copo deste branco, e vão dúzias, sinto-me um Jacinto a descobrir a fava autêntica.
«(…) Que desconsolo! Jacinto, em Paris, sempre abominara favas!… Tentou todavia uma garfada tímida — e de novo aqueles seus olhos, que o pessimismo enevoara, luziram, procurando os meus. Outra larga garfada, concentrada, com uma lentidão de frade que se regala. Depois um brado:
— Óptimo!… Ah, destas favas, sim! Oh que fava! Que delícia!
E por esta santa gula louvava a serra, a arte perfeita das mulheres palreiras que em baixo remexiam as panelas, o Melchior que presidia ao bródio…
— Deste arroz com fava nem em Paris, Melchior amigo!»
Nunca por nunca abominei o Arinto. Que disparate. Mas quando embebo o Chocapalha, dou em bradar (entre mim) como o Príncipe de Tormes: — Óptimo!… Ah, deste Arinto, sim! Oh, que Arinto! Que delícia!
Deste, nem em Bucelas, leitor amigo!

segunda-feira, 26 de março de 2012

Alento Reserva 2010

Luís Louro. Regional Alentejano. Arinto, Antão Vaz. 13% Vol. Oferta do produtor.
Amarelo-claro. Notas aromáticas tostadas, de baunilha, sobre citrinos e marmelo. Bem proporcionado na boca, saboroso, com acidez e persistência apreciáveis.

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Notas Amadoras: Casa das Gaeiras 2010 (Branco)

Regional Lisboa. Arinto, Chardonnay, Fernão Pires. 13,5% Vol. 3,49 €.
Amarelo-claro esverdeado. Aroma de ananás, um tanto vegetal. Acidez agradável, com a mesma sensação vegetal e uma certa espessura.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Um copo de charneco

Sempre que calho beber um copo de bom Bucelas, vêm-me ao espírito as palavras de génio com que o Eça inscreveu o seu Tormes no Futuro: ― «um vinho fresco, esperto, seivoso, e tendo mais alma, entrando mais na alma, que muito poema ou livro santo.»
Estou convencido, por uma abundante experiência, de que um Bucelas bem feito, muito mais do que bom, é um vinho benéfico. Como um bálsamo, ele entra realmente na alma, e apazigua, retempera, dá alento. A Ciência explica esta virtude penetrante: ― «A principal característica dos vinhos de Arinto é a qualidade da sua acidez, à qual alia uma excelente estrutura e aveludado, que lhe são conferidos pela riqueza em substâncias pécticas e em proteínas, quando é produzida em terrenos calcários.»*
A Literatura também dá sua achega. Voltando ao Eça, em «A Relíquia», diz um Teodorico transtornado:
«Fui tombar, quase desmaiado, no canapé de couro. Ele ofereceu-me vinho de Bucelas. Bebi um cálice. E passando a mão trémula sobre a face lívida:
― Então dize lá, conta lá tudo, Justininho...»
À requintada mesa dos Maias não podia ele faltar:
«— Bucelas? — murmurou-lhe sobre o ombro o escudeiro.
O administrador ergueu o copo, depois de cheio, admirou-lhe à luz a cor rica, provou-o com a ponta do lábio, e piscando o olho para Afonso:
— É do nosso!
— Do velho — disse Afonso. Pergunte ao Brown... Hein, Brown, um bom néctar?
— Magnificente! — exclamou o preceptor com uma energia fogosa.»
De resto, o Arinto de Bucelas é objecto de ternas devoções há séculos, e não só entre os portugueses: Thomas Jefferson, presidente dos Estados Unidos da América nos primeiros anos de 1800, não o dispensava na sua adega, «sempre da melhor qualidade, não aguardentado, e velho»; e o «charneco» a que Shakespeare alude em «O Rei Henrique VI», diz-se que não era outro vinho senão o nosso famoso branco.
Ora, eu tive a felicidade de beber um copo de charneco em plena Quinta do Boição, fonte do Bucellas e de apreciáveis vinhos de quinta, na grata companhia do seu obreiro.

Quinta do Boição
João Vicêncio recebeu-me com bondade e com a paciência que um leigo sempre requer. Tocando vagarosamente o jipe para a adega, ia apontando, ia mostrando, lá a Arinto, acolá a Rabo de Ovelha, estas cepas novas, estas velhas; a certo passo, furámos entre as linhas, roçando as parras ao de leve, atacadas do míldio, aqui e além: e assim era pena que eu não visse as vinhas tão bonitas e viçosas como elas em regra são.
Foi depois, já na adega, no fim de explicar sem reservas os processos de vinificação e todo o funcionamento da maquinaria, que ele, sabido, cheio de malícia, me estendeu um copo do mais recente Bucelas de vinhas velhas, apenas fermentado, que acabava de tirar da cuba para me dar a provar. Eu, pobre de mim, já antevendo o que lá vinha, de boca seca, impreparada, susceptível ― provei com delícias o charneco até à última gota, assim mesmo como estava, a vinte e tal graus de temperatura. O João Vicêncio sorriu-se, satisfeito: e é bem possível que, ali e então, me houvesse nascido uma alma nova.

* Prof. Virgílio Loureiro, em «Os Melhores Vinhos de Portugal – Guia Repsol 2002/2003»

quinta-feira, 28 de julho de 2011

Notas Amadoras: Arinto by Quinta de Chocapalha 2008

Regional Estremadura. 12,5% Vol. 1,99 €.
Amarelo-esverdeado. Aroma lembra amêijoas à Bulhão Pato! Limão, coentros, um toque mineral. Esperto, citrino, refrescante. Grande negócio!

quinta-feira, 21 de julho de 2011

Notas Amadoras: Quinta do Gradil Arinto & Sauvignon 2010

Regional Lisboa. 14% Vol. Oferta do produtor.
Amarelo-claro. Aroma discreto. Do tipo que tem mais sabor do que cheiro. Seivoso.

terça-feira, 12 de julho de 2011

Notas Amadoras: Topázio Reserva 2009 (Branco)

Caves Velhas. DOC Douro. Arinto, Viosinho, Malvasia Fina. 12,5% Vol. 2,98 €.
Cor esverdeada. Aromas ténues. Acidez curiosa, com um toque de vinagrinho. Um branco para a mesa.

terça-feira, 17 de maio de 2011

We will always have Bucelas

A Enoteca das Caves Velhas é uma loja de vinhos muito especial. Em bom rigor, o lugar já não se chama «Enoteca», já não é uma «loja de vinhos», e as Caves Velhas fazem agora parte do Grupo Enoport ― que, desde o ano passado, se apresenta como «Enoport United Wines». Por sua vez, a «Enoteca» foi mudada em «Enopoint» e a «loja de vinhos» passou a «wine shop». Eu, como não aprecio frequentar «wine shops» (e também acho que «Enojoint» é que era um nome chamativo), continuarei a chamar «Enoteca» àquela esplêndida loja de vinhos. De mais a mais, nunca um sisudo, como eu aspiro a ser, podia deitar-se a escrever: ― «O Enopoint da Enoport United Wines é uma wine shop muito especial.» Sainete, sim, mas com moderação. Avancemos para o que interessa.
Visitar a Enoteca é para mim sempre um prazer. As suas prateleiras acolhem muitos vinhos excepcionais que o Mercado despreza ou desconhece. As mais recentes colheitas do diverso catálogo do grupo coabitam com velhas garrafas de rótulos desfeitos, antiquados ou tão-só preteridos por não serem já suficientemente novos.
Para além dos vinhos velhos, a Enoteca tem outros encantos particulares, como um retrato de Sir Winston Churchill com uma caixa das Adegas Camillo Alves e, possivelmente, as poltronas mais confortáveis onde eu tenho repousado os ossos. Ainda por cima, está instalada no seio de uma das regiões vitícolas mais estimáveis que tem Portugal: a vetusta Bucelas, que agora celebra 100 anos como região demarcada.
Na passada quarta-feira, fui até lá. Eram apresentadas as últimas colheitas do Bucellas e dos tintos Topázio e Quinta do Boição Special Selection Old Vineyards (sim, sim, leitores). Desgraçadamente, comparecemos somente três gatos-pingados ― e nem por isso os nossos anfitriões foram menos diligentes ou atenciosos para connosco. Aliás, depois de conhecer o enólogo João Vicêncio, autor dos vinhos em apreço (com excepção do Topázio), entendo melhor o carácter afável do meu prezado Bucellas. O que agora se lança no mercado, de 2010, não deslustra a tradição deste bom branco de Arinto.
O Topázio 2009, um tinto com denominação de origem Douro, é do tipo insinuante, que quer ser bebido sem demora. A menos de 3 € a garrafa, tem sucesso garantido.
O Quinta do Boição etc. 2008 é outra fruta ― naturalmente. Se tomei boa nota das palavras de João Vicêncio, este Regional Lisboa (por sinal, acabado de premiar em Bruxelas) é feito, em partes iguais, de Touriga Nacional e de Syrah; as videiras de Touriga têm cerca de 80 anos, enquanto as de Syrah são novas, razão por que a idade das vinhas indicada nos contra-rótulos e nas fichas de produto é de 40 anos. O vinho tem um aroma inusitado e cativante, e apetece passar um bocado a conversar com ele. Aí está demonstrado como em Bucelas, com saber, também se podem fabricar tintos interessantes.
De modo que, caiam governos, entrem governos, venham credores, partam credores, desça o Belenenses e torne a descer: nós teremos sempre Bucelas.