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quarta-feira, 5 de março de 2014

Fredy

Após a derrota com o Benfica, domingo passado (a 11.ª no campeonato; o 13.º jogo em branco), o treinador do Belenenses, Marco Paulo, afirmou que os seus jogadores tiveram «uma grande capacidade de luta e entrega contra, talvez, a melhor equipa do campeonato». O capitão, Fernando Ferreira, declarou: «Esta é uma resposta clara do plantel perante uma equipa muito forte.» O guarda-redes, Matt Jones, disse: «Ficámos tristes, mas a verdade é que este jogo não era do nosso campeonato.»

Faça-se um favor a estas alminhas e piche-se em todas as paredes das áreas reservadas do Estádio do Restelo o axioma de Wittgenstein: «Os limites da minha linguagem são os limites do meu mundo.» Se se achar melhor, substitua-se mundo por futebol. «Os limites da minha linguagem são os limites do meu futebol.» Enquanto persistam no discurso, na postura e na prática dos medíocres, não deixarão de ser medíocres.

Fredy — um rapaz de 24 anos que há 13 representa o Belenenses e que fala em alegria como uma forma de jogar futebol — salvou-nos a face. Expulso no domingo com dois cartões amarelos numa questão de segundos, por protestar com o árbitro (cujo trabalhinho o mister Jesus achou muita bom), retractou-se deste modo: «Perdi a cabeça. Meti-me a jeito. Foi uma criancice da minha parte. (...) O primeiro amarelo foi justo, mas o segundo já não. Apenas disse ao árbitro que ele estava a desrespeitar o clube. E, sejamos francos, foi isso que ele fez.»

Não é a primeira vez que Fredy dá aos seus companheiros um exemplo de galhardia, de honradez e de respeito pela camisola que veste. Depois da primeira mão das meias-finais da última Taça de Portugal, que o Belenenses disputou com o Vitória de Guimarães, ele, sorrindo que nem Matateu, prestou o seguinte esclarecimento: «Esta equipa nunca desiste, acredita sempre. Perdemos por 2-0, temos de ir lá ganhar por 3-0.»

Ergo o meu copo a este espírito: cá vai à saúde, ao êxito e à alegria do Fredy! — um grande jogador do Belenenses.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Morgado de Bucelas 2012


Soc. Agr. Boas Quintas. DOC Bucelas. Arinto. Nuno Cancela de Abreu (enol.). 12,5% vol. 6 € (Restaurante Barrete Saloio, Bucelas).

Que alegria! Um Bucelas que desconhecia, logo inteiramente novo! E da lavra de Cancela de Abreu, esse santo que nos devolveu o Arinto! Viva Cancela de Abreu! Viva a acidez máscula dos melhores Bucelas! Abaixo os brancos redondos e mariconços! Viva o Barrete Saloio, que vende este vinho a seis euros! Viva quem pagou o almoço! Viva!

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Descobre-se na Internet que esta não é a primeira colheita do Morgado de Bucelas. A ficha técnica da anterior refere aromas de lima e maçã verde e caracteriza a prova como essencialmente fresca e mineral, o que é apenas acertado. Ao invés, o contra-rótulo deste 2012 anuncia um «vinho muito frutado» (no inglês, horror dos horrores, até o apodam de «exuberante»), com um sabor citrino e de frutos tropicais. Ora, senhores: o seu vinho tem atributos especiais, naturais, nobres e tradicionais; por que diabo o querem fazer passar por um branco chato, igual a qualquer outro?

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Sim, ele será excelente como aperitivo e com mariscos, peixes e «pratos ligeiramente picantes». Mas, para que conste, eu bebi-o com um naco de novilho à hortelão, a melhor apologia da osmazoma — e, ao mesmo tempo, da cenoura e dos brócolos — que conheço. E sabe o que lhe digo, amigo leitor? Viva o Bucelas com carne!

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Alegria

«A melhor forma de combater os fascistas religiosos, sejam eles evangélicos, como nos Estados Unidos e no Brasil, judeus, muçulmanos ou hindus, é através da alegria ― do sexo, da música, do vinho e dos rojões.»

José Eduardo Agualusa, na revista LER de Novembro (n.º 118)