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quarta-feira, 6 de março de 2013

Uma coisa viva

Quinta da Fidalga 1980
(Muito obrigado, F.)

«Gosto de pensar na vida do vinho. Em como é uma coisa viva. Gosto de pensar sobre o que se passava no ano em que as uvas estavam a crescer. Como o sol brilhava. Se choveu. Gosto de pensar em todas as pessoas que cuidaram e colheram as uvas. E, se é um vinho velho, quantas delas devem estar agora mortas. Gosto de como o vinho continua a evoluir, de como, se eu abrisse uma garrafa de vinho hoje, ele teria um sabor diferente do que se a tivesse aberto noutro dia qualquer. Porque uma garrafa de vinho está de facto viva. E está constantemente a evoluir e a ganhar complexidade. Isto é, até atingir o auge, como o teu 61. E então começa o seu firme, inevitável declínio.
And it tastes so fucking good.»

Maya para Miles, no filme Sideways

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Cheiro de cachorro molhado

Uma cena do filme Estômago. Para todos os «wine lovers», essas pessoas que adoram «wine».
Grande, abençoado Brasil!



«Não adianta ser aquelas uva rubi que nós encontra na feira não, porque ali não dá pé, não dá pra fazer o vinho. Pra fazer o vinho, o sujeito massaroca a uva bem massarocadinho mesmo, deixa fermentando, faz o gás, e aí pega a baba e joga nuns tonel de madeira de fazer pinga, assim — agora, só a baba, sem a pinga! Por isso que o vinho tem essas coisa de sentir cheiro, né? Porque é o seguinte: ele fica um ano e meio ali naquele barril, com o cheiro tudo fechadinho lá dentro; então, quando nós abre a garrafa, ó, vem aquele cheiro de frô, vem aquele cheiro de uva, vem aquele cheiro de mato, vem aquele cheiro de madeira, vem até um cheiro de bundum de animal — de bicho mesmo! É. Tem uns vinho que tem cheiro de cachorro molhado!»

sexta-feira, 30 de março de 2012

Um brinde a Vincent

À memória de Vincent van Gogh, nascido neste dia, em 1853.
É uma boa ocasião para (re)vermos o encantador «Lust for Life», de V. Minelli, ou para nos voltarmos a deixar comover com «Vincent», de Don McLean.
Este quadro, datado de 1888, consta que foi o único que compraram a Van Gogh. No ano da sua morte.

«Vinha Vermelha em Arles»

«Mas domingo, se tu tivesses estado connosco! — vimos uma vinha vermelha, toda vermelha como vinho tinto. Na lonjura tornava-se amarela, e depois um céu verde com um sol, terrenos violeta após a chuva e cintilando amarelo aqui e além, onde se reflectia o sol poente.»
(Carta de Vincent para o irmão Theo van Gogh)

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Piquenique

Bem avisado, desde moço, de que o tempo voa, sou, em regra, avesso a repetir livros ou filmes, mesmo quando tenha gostado muito deles. O diabo é que eu não sou o mais regrado dos homens, e há uns poucos livros e filmes a que não posso deixar de voltar.
O «Sideways» é uma destas ficções que são como lugares a que apetece às vezes recolher. Fica na Califórnia vinhateira, é soalheiro e arejado, e tem a melancolia própria das coisas belas. As personagens do filme são velhos amigos que não me conhecem; a sua história é um bálsamo para o desalento; a música, um conforto que se pode ouvir continuamente.
Há pouco, chegou-me à caixa do correio o livro que originou o filme. Espero que não faça tanta sede ― mas duvido muito.