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quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Quinta do Boição 2000


Caves Velhas. Regional Estremadura (Bucelas). Trincadeira, Castelão, Tinta Miúda, Camarate. 13% vol. 1 € (Caves Velhas).

Um bouquet muito capaz, com notas aromáticas de couro, compota, licor, flores, plantas balsâmicas, eucalipto, unto, cogumelos, osmazoma, fumo, bacon, caramelo tostado etc. Boa acidez e bom travo.

Dê-se-lhe tempo! Nisto de vinhos velhos (e nos novos, igual; e nos whiskies; e em tudo), nem hesitações, nem precipitações. Há que deixá-los perder o pivete da garrafa, assentar e abrir. Que é como quem diz, não entrar a matar. Um bom princípio geral.

Custa um euro (o negócio é duas garrafas, dois euros) na Enoteca das Caves Velhas. O Casal da Eira, também ali à venda, já se atira aí prò euro e meio. Mas é preciso ver que é em Tetra Brik.

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

Blogopsicografia

O bloguista é um procrastinador. Procrastina tão completamente, que chega a procrastinar a vergonha que, de procrastinar, deveras sente.

Já foi em Novembro do ano passado que escrevi a Jaime Quendera, perguntando-lhe sobre um tinto da Cooperativa de Pegões que me trazia alegrete e curioso: o Marco de Pegões, um DO Palmela à venda nos supermercados Aldi.


Não sendo bloguista (e não tendo assistido àquele putativo seminário das Caves São João), o enólogo de Palmela respondeu-me sem demora. Confirmou que este Marco de Pegões (há outro vinho com o mesmo nome para exportação) é produzido exclusivamente para o Aldi. Setenta mil garrafas. Castelão puro. Vinhas com mais de vinte e cinco anos de idade. Oito meses em barricas de três e quatro anos, que, ao quinto, são encaminhadas para o Moscatel de Setúbal.

Bebi com prazer umas tantas garrafas da colheita de 2011. Muito chamativo tinto (o leitor sabe que os vinhos de Quendera não se acanham), denso de aroma, lembrando compota de ameixa e chocolate de menta, e vicejante na boca, com certo frescor achocolatado e boa constituição para evoluir. Pode dizer-se que, à data, a madeira estava-se bem fundindo.

Comprei agora uma garrafinha de 2012. 1,99 €. Um euro e noventa e nove. Um euro. E noventa e nove cêntimos. Logo lhes direi como me parece. Daqui por uma catrefada de meses. Se calhar.

quarta-feira, 29 de outubro de 2014

Soluço moral

Beber com moderação, mas sem cobardia.

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A propósito, ainda se apanha por estes dias no Aldi o Moscatel de Setúbal da Adega de Palmela, a colheita de 2012, premiada pela Decanter com medalha de prata, a cerca de 3,50 €. Não ajas como se foras viver dez mil anos, nem como se foram eternas as promoções dos supermercados.

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Ubuntu

Lembrei-me de partilhar consigo, leitor, a minha lista de compras vinárias para os próximos dias, rebuscada nos folhetos dos supermercados. Neste tempo algo barbárico onde calhámos, é um pequeno gesto, modestíssimo, de ubuntu: uma forma de sermos uns para os outros.

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Lidl
Chaminé tinto (3,19 €)
Valle Pradinhos tinto (7,99 €)

Pingo Doce
Paulo Laureano Clássico tinto (1,99 €)
Adega de Pegões Colheita Seleccionada tinto (3,49 €)
Offley Porto Tawny 10 anos (7,49 €)

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Adenda | No noticiário das 15h da TSF, ouviu-se Cavaco Silva (Sovaco* Silva, segundo aquele crianço da Orquestra Geração) embolar a palavra «ubuntu». Parecia que um membro da Academia Ubuntu lhe estava administrando a manobra de Heimlich. Deplorando a coincidência, devo esclarecer que, não só ignoro escrupulosamente a agenda de Cavaco, como VIVA EL-REI!

* «Sei que alguém gostaria de me perguntar: você fala em cu e boceta, mas usa axila em vez de sovaco. Porquê? A resposta é muito simples. Cu e boceta têm uma obscenidade fáustica, que ainda resiste ao uso e abuso desses termos nos dias atuais. Mas sovaco é uma palavra vulgar, de uma trivialidade reles e fosca.» ― Rubem Fonseca, em Axilas & Outras Histórias Indecorosas (2011)

sexta-feira, 29 de novembro de 2013

Advertência oriental

Há no Lidl um vinho espanhol, DO Terra Alta, chamado Vespral Reserva. É feito com Tempranillo e Garnacha. Estão agora a vender a colheita de 2008, por 1,89 €. Eh pá, vocês, que não querem ser vistos a manusear vinhos chinfrins, enfiem um boné e uns óculos escuros e vão lá comprá-lo. Depois venham-me falar em tintos bons comò caramelo.

A propósito, o Señorio de Gayan Gran Reserva 2007 está de novo à venda no Aldi. Bem bom. Eu cá já me orientei, e olhem que fui ao natural, só com a barba e as lunetas. Salvo seja, salvo seja.

Quem adverte amigo é.