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quinta-feira, 23 de janeiro de 2020

Almiara 2018

E à quarta-feira, o primeiro quarteirão da semana.

Dá-me um bocadinho do seu lume?

Quinta da Almiara. Vinho de mesa. Syrah, Caladoc, Aragonez, Merlot, Castelão, Alicante Bouschet. Lisete Lucas (enol.). 13% vol. 6,80 € (5 l) (produtor).

Boas, frescas, tintas 1.6 unidades de álcool, recendentes a imaculada fruta e Castelão de Torres Vedras, com aquela nótula salgada — ou melhor, não-doce — de osmazoma.

Quer-se bebê-lo em — já se sabe — grandes talagadas, mas eu apenas lhe dei uns beijinhos ao jantar, prolongando o prazer pelo serão, com uma série de truz na televisão.

8 valores (puxando a 9) na Escala de Grâmaso.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

JA 2011


Um Bife à Café Lisboa — reencarnação do vetusto Bife à Marrare, com «um molho de carne à séria» — um caldo feito com os ossos e as aparas da carne, ligado com um tantesquinho de natas, de mostarda ou de manteiga — e uma garrafa de JA tinto, sob os tectos augustos do Teatro Nacional de São Carlos. Um sopro de civilização na choldra ignóbil.

⁂

Quinta do Monte d'Oiro. Regional Lisboa (Alenquer). Syrah. Graça Gonçalves (enol.) (?). 13% vol. 15 € (Café Lisboa).

Com notas aromáticas lembrando ameixas e cerejas, mas também osmazoma e fumo, está um tinto delicado e elegante, de um brilho palatável — quer dizer, magicando na boca uma sensação de brilho. Supinamente gastronómico, como tinha de ser um vinho produzido por José Avillez e José Bento dos Santos na Quinta do Monte d'Oiro.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Duas Pedras 2011

Sonho Lusitano Vinhos. Regional Alentejano. Touriga Nacional, Syrah, Viognier. Rui Reguinga (enol.). 14,5% vol. 5,89 € (Jumbo).

Como a frescura da Serra lhes não bastasse, Mayson e Reguinga ajuntaram às castas negras deste tinto um pouco de Viognier, à moda do Côte-Rotie e do Monte d'Oiro*. Oh, vinho raro! Oh, formosura! Oh, pureza! Eia, Serra! Hup-lá-hô, sensibilidade enológica! (Enológica, ouviram? Enológica: ramo da filosofia vinícola que visa determinar o que é verdadeiro.) Tanto engraçaram contigo, Duas Pedras, o lacão assado no forno como o arroz de favas com cacholeira e chouriço mouro de Portalegre.

* Segundo os franceses, a casta Viognier acresce à Syrah finesse e aroma. Jancis Robinson, citando vinicultores da Austrália e da Califórnia, diz que «também ajuda a estabilizar a cor do vinho e aprofunda a sua textura.»

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Folha do Meio Reserva 2008


Terrenus Veritae. Regional Alentejano (Alegrete). Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Aragonez. Paolo Fiuza Nigra (enol.). 14,5% vol. 8,49 € (Intermarché).

Um tinto cheiroso, civilizado (não obstante o volume capitoso), verdadeiro, como a Serra. Cauda longa como a de uma pega-rabuda. Leia-se o texto de Pedro Garcias no Fugas, que me fez desejar ver Alegrete e provar este vinho de vinhas velhas.

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Adega do Calvário 2006

Regional Alentejano (Monforte). Aragonez, Touriga Nacional, Syrah. António Moita Maçanita (enol.). 14% Vol. 5 € (?).
Aromas doces, mais frutados que vegetais, também evocatórios de leite achocolatado e até de chocolate de menta. Com macieza, frescura e sabor quanto baste, acaba a lembrar compota de tomate.

terça-feira, 3 de julho de 2012

Horta do Bispo 2005

Agora que por fim dei sumiço a uma caixa deste vinho, desconfio estar involuntariamente participando num estudo sociológico, ou de mercado, ou do psiquismo colectivo, cujo método consiste em vender, disfarçado com um rótulo enigmático, um tintão de categoria a um preçozito ridículo, para depois avaliar como reagem os compradores.
Parece que se chama «Horta do Bispo». Os rótulos indicam 2005, Herdade da Sobreira, Estremoz. «Cuidada selecção de uvas das castas Syrah, Trincadeira e Alicante Bouschet», «12 meses em barricas de carvalho francês e americano», «elegante, equilibrado e persistente».
As pesquisas na Internet não deram em nada. A correspondência com a Rota dos Vinhos do Alentejo também não.
Seja como for, quero deixar declarado, só para o caso, que podem sempre contar comigo para estudos desta natureza. Por mor da ciência, tudo.

Consta que é «Horta do Bispo»

Horta do Bispo 2005
Herdade da Sobreira. Regional Alentejano. Syrah, Trincadeira, Alicante Bouschet. 14% Vol. 2,29 € (Jumbo, Almada).
Retinto. Recendente a fruta madura, ameixas, framboesas, plantas silvestres, especiarias. Taninos levemente amargos, para durar.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Alento Reserva 2008 (Tinto)

Luís Louro. Regional Alentejano. Aragonez, Alicante Bouschet, Touriga Nacional, Syrah. 14,5% Vol. Oferta do produtor (preço ronda 11 €).
Vermelho bem escuro. Aroma rico, de compotas de fruta vermelha e silvestre, com um frescor como de coentros, que se faz balsâmico. Elegante, saboroso, persistente. Um vinho esmerado.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Vinhas do Lasso Colheita Seleccionada 2009

Quinta do Pinto. Regional Lisboa. Touriga Nacional, Syrah, Cabernet Sauvignon. 14% Vol. 8 € (em restaurante).
Vermelho-escuro opaco. Aroma licoroso de fruta, balsâmico, de pimento, cremoso, de baunilha, com pós de canela. Na boca, repete-se a impressão de pimento sobre fruta, junta com apreciável frescura e uma ponta de adstringência. Fez bela figura com um cozido.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Monte Mayor 2010

Adega Mayor. Regional Alentejano. Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet, Syrah, Petit Verdot. 14% Vol. Oferta do produtor.
Vermelho-escuro. Aroma intensamente frutado, de morangos e amoras, com um fundo de baunilha, que suscita a mesma impressão cremosa dos caramelos de fruta. Corresponde na boca, bem saboroso e estruturado, de final fresco e cativante.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Casal Freitas 2008

Por falar em Castelão e Fernando Pó, eis a nota de prova de um vinho aludido há tempos.
A propósito, quando vi comparar Castelão a Pinot Noir, o que primeiro me lembrou foram justamente as notas aromáticas animais, que julgo serem características de ambas as castas, quando criadas nos melhores terroirs.

Casal Freitas 2008
José Bento da Silva Freitas. Regional Terras do Sado. Castelão, Touriga Nacional, Syrah. 13,5% Vol. Cerca de 2,50 €.
Vermelho-escuro intenso. Aroma frutado, de feição gorda, com certa nota animal, que parece lembrar ovelhas… Corpo fluido, sabor equilibrado, com um toque vegetal.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Modus operandi

Como se faz

Visita à Quinta do Monte d’Oiro
Um lugar de civilização. Lugar também de vento forte e constante, daí o nome da freguesia: Ventosa. A poucos quilómetros, é a Abrigada. 20 ha de vinhas em produção. 60% é Syrah. Todo o vinho do Monte d'Oiro tem um conceito gastronómico. De cada um que se provava, a Graça dizia com que comida casaria. Contou que Bento dos Santos é generoso, cultiva o prazer da partilha. Assim, na companhia dele, tem provado os melhores vinhos do mundo. Segundo ela, Bento dos Santos diz que o vinho é para beber, não para provar. Diz também que os vinhos do Monte d'Oiro são naturalmente gastronómicos. Ao fundo da adega, velando as pipas, estão duas estátuas (de madeira, creio): uma figura de mulher, representando a Arte, e uma de homem, representando o Engenho. Desde que ali chegou, em 2005, a Graça foi aligeirando e apurando o Madrigal, que achava pesado. Fê-lo aos poucos, porque foi preciso ir convencendo Bento dos Santos das suas razões. É ele quem idealiza os vinhos. Graça é a técnica que os executa, também tendo sua palavra. Em geral, não gosta dos brancos de Viognier dos outros. Diz que se trata de uma casta difícil de criar e de trabalhar. Como a Fernão Pires, facilmente origina vinhos perfumados em excesso, fáceis, oferecidos. Quanto a ela, prefere discrição e elegância. É a marca da Quinta do Monte d'Oiro.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Notas Amadoras: Casa das Gaeiras 2009 (Tinto)

Regional Lisboa. Touriga Nacional, Aragonez, Syrah. 13,5% Vol. 3,49 €.
Cor púrpura intensa. Aroma peculiar de fruta, torrefacção, especiarias. Muito agradável. A repetir.