terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Senso e sensibilidade

«Ernest parecia contente com as rotinas de comer e beber que tinha imposto a si mesmo. Bebia um copo de vinho ao almoço, uma quantidade moderada ao jantar, e mantinha o seu Scotch nocturno reduzido a duas doses. O seu almoço favorito era um copo de vinho tinto e uma sanduíche de manteiga de amendoim e cebola crua. Pela primeira vez desde que eu o conhecia, ele ia livremente a casa de outras pessoas jantar, pois todos eram bons amigos que o deixavam fazer as próprias bebidas e em cuja comida simples de Ketchum ele podia confiar. Levava sempre o vinho, que seleccionava das suas reservas de garrafas boas mas relativamente baratas. “Desisti dos vinhos caros pela Quaresma de 1947”, Ernest explicou certa vez, “e nunca os retomei. Também deixei de fumar muito antes disso, porque o fumo de cigarro é o pior inimigo do nariz, e como é que se pode apreciar um bom vinho que não se consegue verdadeiramente cheirar?”»

A. E. Hotchner, em Papa Hemingway: A Personal Memoir

1 comentário:

Flavio Silva disse...

Campanha de prevenção enofiliária: "Se beber, não fume!".