O bloguista é um procrastinador. Procrastina tão completamente, que chega a procrastinar a vergonha que, de procrastinar,
deveras sente.
Já foi em Novembro do ano passado que escrevi a Jaime Quendera, perguntando-lhe sobre um tinto da Cooperativa de Pegões que me trazia alegrete e curioso: o Marco de Pegões, um DO Palmela à venda nos supermercados Aldi.
Não sendo bloguista (e não tendo assistido àquele
putativo seminário das Caves São João), o enólogo de Palmela respondeu-me sem demora. Confirmou que este Marco de Pegões (há outro vinho com o mesmo nome para exportação) é produzido exclusivamente para o Aldi. Setenta mil garrafas. Castelão puro. Vinhas com mais de vinte e cinco anos de idade. Oito meses em barricas de três e quatro anos, que, ao quinto, são encaminhadas para o Moscatel de Setúbal.
Bebi com prazer umas tantas garrafas da colheita de 2011. Muito chamativo tinto (
o leitor sabe que os vinhos de Quendera não se acanham), denso de aroma, lembrando compota de ameixa e chocolate de menta, e vicejante na boca, com certo frescor achocolatado e boa constituição para evoluir. Pode dizer-se que, à data, a madeira estava-se bem fundindo.
Comprei agora uma garrafinha de 2012. 1,99 €. Um euro e noventa e nove. Um euro. E noventa e nove cêntimos. Logo lhes direi como me parece. Daqui por uma catrefada de meses. Se calhar.