Há no Lidl um vinho espanhol, DO Terra Alta, chamado Vespral Reserva. É feito com Tempranillo e Garnacha. Estão agora a vender a colheita de 2008, por 1,89 €. Eh pá, vocês, que não querem ser vistos a manusear vinhos chinfrins, enfiem um boné e uns óculos escuros e vão lá comprá-lo. Depois venham-me falar em tintos bons comò caramelo.
A propósito, o Señorio de Gayan Gran Reserva 2007 está de novo à venda no Aldi. Bem bom. Eu cá já me orientei, e olhem que fui ao natural, só com a barba e as lunetas. Salvo seja, salvo seja.
Quem adverte amigo é.
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
terça-feira, 26 de novembro de 2013
Rescaldo
Ceámos tarde, na sala de estar, abrigados do frio, revendo cenas de Os Maias de Luiz Fernando Carvalho. A canjinha não me escaldou, mas acudiu-me à alma. O arroz com favas ainda apanhou um resto de cacholeira. Calhou soberbo. A mulher amada está com a mão milagrosa. Não comemos o ananás: além do Madeira, faltava o mel e laranjas, e era tarde, e fazia um frio avançadiço de glacificar. Substituímo-lo por Pedaçudas, umas grossas bolachas de chocolate ― igualmente, lavor de Fada ― que farão legenda e o Eça haveria de apreciar. O Colares era Viúva Gomes deste século, um 2003 de quartilho, donde, não me fartei propriamente. Oxalá o seu espírito se haja alegrado.
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
Carambíssima!
Esta noite, cá em casa, temos uma ementa especial para a ceia. Primeiro, uma canja fervente, para esquentarmos.
Como prato principal, arroz com favas.
Para a sobremesa, estou a magicar um ananás com Algarseco e mel ― porque não temos Madeira.
Quanto ao vinho, será Colares, como vem nos livros.
E, caramba, rapazes, carambíssima! Lá vai à do Eça, que nasceu faz hoje 168 anos!
Jacinto ocupou a sede ancestral ― e durante momentos (de esgazeada ansiedade para o caseiro excelente) esfregou energicamente, com a ponta da toalha, o garfo negro, a fusca colher de estanho. Depois, desconfiado, provou o caldo, que era de galinha e rescendia. Provou ― e levantou para mim, seu camarada de misérias, uns olhos que brilharam, surpreendidos. Tornou a sorver uma colherada mais cheia, mais considerada. E sorriu, com espanto: ― «Está bom!»
Estava precioso: tinha fígado e tinha moela: o seu perfume enternecia: três vezes, fervorosamente, ataquei aquele caldo.
― Também lá volto! exclamava Jacinto com uma convicção imensa. É que estou com uma fome... Santo Deus! Há anos que não sinto esta fome.
Foi ele que rapou avaramente a sopeira.
Como prato principal, arroz com favas.
E já espreitava a porta, esperando a portadora dos pitéus, a rija moça de peitos trementes, que enfim surgiu, mais esbraseada, abalando o sobrado ― e pousou sobre a mesa uma travessa a transbordar de arroz com favas.
Para a sobremesa, estou a magicar um ananás com Algarseco e mel ― porque não temos Madeira.
Mas o Domingos servia o ananás. E o Ega provou e rompeu em clamores de entusiasmo. Oh que maravilha! Oh que delícia!
― Como fazes tu isto? Com Madeira...
― E génio! exclamou Carlos. Delicioso, não é verdade? Ora digam-me se tudo o que eu pudesse fazer pela civilização valeria este prato de ananás! É para estas coisas que eu vivo! Eu não nasci para fazer civilização...
Quanto ao vinho, será Colares, como vem nos livros.
Ah, que dia! Jantei num gabinete do Hotel Central, solitário e egoísta, com a mesa alastrada de Bordéus, Borgonha, Champagne, Reno, licores de todas as comunidades religiosas ― como para matar uma sede de trinta anos! Mas só me fartei de Colares.
E, caramba, rapazes, carambíssima! Lá vai à do Eça, que nasceu faz hoje 168 anos!
segunda-feira, 18 de novembro de 2013
After half a glass
Adrian Mole, o diarista inventado por Sue Townsend, é um nome que avulta no longo rol de motivos para se ser anglófilo. (Nessa lista, também constam Tristram Shandy, o chá Earl Grey, o bolo da Sra. Darwin, o queijo Stilton, o especial apreço pelas aves e pelos jardins, a BBC, séries televisivas como Fawlty Towers e Rev., bandas como os Madness e os Blur, o exílio de D. Manuel II, Sir Winston Churchill, a fleuma e o humor negro, Postman Pat e Shawn the Sheep, Matt Jones, aliás, Matthew Robert Jones, aliás, Mr. Jones, o keeper do Belenenses etc.)
Adrian, herói sem glória da fé em si mesmo, continua a escrever os seus diários, começados aos treze anos e três quartos. No volume que acabo de ler, intitulado The Capuccino Years (1999), encontra-se a seguinte entrada, aqui transcrita em dedicação aos detractores da Pátria:
Adrian, herói sem glória da fé em si mesmo, continua a escrever os seus diários, começados aos treze anos e três quartos. No volume que acabo de ler, intitulado The Capuccino Years (1999), encontra-se a seguinte entrada, aqui transcrita em dedicação aos detractores da Pátria:
Quarta-feira, 15 de Abril
Esta noite, com a ajuda da Eleanor, o Glenn copiou o seu nome e a sua morada, e também «Gazza», «Hoddle» e «Campeonato do Mundo».
Abri uma garrafa de Mateus Rosé e convidei a Eleanor a juntar-se a mim e celebrar o progresso dele. Quase desejei não o ter feito ― ao fim de meio copo, ela começou a mirar-me muito intensamente. Acho que me estou a desinteressar dela um pouco.
segunda-feira, 11 de novembro de 2013
Anexim
No Dia de São Martinho, faz anos o Amável Vinho: pelo santo e pelo blogue, bebe muito ou tantesquinho, mas que não bebas sozinho.
«Mesmo sendo-lhe atribuídos muitos milagres, São Martinho é famoso sobretudo por um acto de caridade fraterna. Quando era ainda jovem soldado, encontrou na estrada um pobre entorpecido e trémulo de frio. Pegou no seu manto e, cortando-o em dois com a espada, deu metade àquele homem. Nessa noite, apareceu-lhe Jesus em sonho, sorridente, envolvido naquele mesmo manto.»
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| Festejando o São Martinho (José Malhoa, 1907) |
«Mesmo sendo-lhe atribuídos muitos milagres, São Martinho é famoso sobretudo por um acto de caridade fraterna. Quando era ainda jovem soldado, encontrou na estrada um pobre entorpecido e trémulo de frio. Pegou no seu manto e, cortando-o em dois com a espada, deu metade àquele homem. Nessa noite, apareceu-lhe Jesus em sonho, sorridente, envolvido naquele mesmo manto.»
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
sábado, 2 de novembro de 2013
Soluço anjinho
― Ó mãe, os outros meninos recebem amostras sem saber ler nem escrever...
― Oh, anjinho da sua mãe... Saber ler e escrever! O que é preciso é know-how.
― Oh, anjinho da sua mãe... Saber ler e escrever! O que é preciso é know-how.
quarta-feira, 30 de outubro de 2013
Soluço joãozinho
― Ó mãe, os produtores nunca me amostram os vinhos deles... Só amostram aos outros meninos, e eles são estúpidos...
― Oh, filho! Estúpido é beber Uvas Douradas e esses vinhos chinfrins.
― Oh, filho! Estúpido é beber Uvas Douradas e esses vinhos chinfrins.
sexta-feira, 25 de outubro de 2013
Exortação aos restauradores
Se notas, prezado restaurador, naturalmente apreensivo, que a freguesia da tua chafarica não te bebe os vinhos, embora não peças por eles, em regra, mais de três ou quatro vezes o que te custaram, salvo, é claro, um ou outro, de nome mais sonante, em que carregas um poucochinho ― faz assim, como eu vi num tasco da baixa: vinho da casa, Palmela do rótulo roxo, por 4 € a garrafa. Está bem que a margem de lucro não passa dos cento e tal por cento, mas, para tempos desesperados...
quarta-feira, 23 de outubro de 2013
Um jantar enunciado
Jantar. A mulher amada comprou iscas de fígado de porco. Iscas de fígado de porco. Enunciar é uma forma de saborear. Iscas de porco à portuguesa, passe o pecadilho de, na cerimónia de fritura, substituir por azeite a banha que manda a tradição. Justamente, batatas cozidas. Batatas cozidas justamente, como quem sabe cozê-las. De pospasto, marmelo assado. Bucellas de 2008, Arinto estreme, da vinha-d'alhos em diante. Não sei se estão a ver.
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Saber ganhar
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| Instagrama contemplativo |
O Belém está fora da competição pela Taça de Portugal. Perdeu com a Briosa nos penáltis. Antes assim, perder com a Briosa e nos penáltis. É muito difícil bater a estudantada quando toca a penáltis. Então se os rapazes se metem em brios, são impiedosos. Os nossos, ontem, falharam dois, acertando em cheio no mesmo poste da baliza. O equivalente a atirar com o vinho à bochecha, num clamoroso falhanço das goelas.
Cá os sócios fizeram o que lhes competia: fomos ao Malhadinhas, para repor, voltámos para casa, abrimos o branco e sentámo-nos a treinar a marcação de penáltis. Refrescados os ânimos, deliberámos que, doravante, todos os jogos do Belém vão a penáltis. Seja no tempo regulamentar ou no prolongamento, nunca mais perderemos jogo algum.
quarta-feira, 16 de outubro de 2013
Castello d'Alba Vinhas Velhas Grande Reserva 2011
Digo eu assim para um velho amigo: «Ai queres vir jantar cá a casa, meu menino? Então, faz favor, garrafinhas de vinho, somente acima de cinco euros.» (Velhos amigos têm desconto.) «Por exemplo, tanto um Duas Quintas como um Barca Velha cumprem o requisito, porquanto custam ambos mais de cinco euros. Fica ao teu critério.» Não gosto de ser impositivo.
Ele, que é danado, acertou na mosca, apresentando-se aqui com uma garrafa deste Castello d'Alba Vinhas Velhas Grande Reserva 2011, mais outra daquele obscuro tintão, Horta do Bispo 2005 (ainda à venda no Jumbo!)
VDS – Vinhos do Douro Superior. DOC Douro. Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Francisca, Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional, Sousão. Rui Madeira (enol.). 14,5% vol. Cerca de 10 €.
Grande vinho. Possante, porventura ainda insondável, mas muito rico, muito longo e muito bom. A mim, não me cheirou senão a perfume de mulher ― e a vinho. Palavra de honra. O meu camarada evocou móveis antigos e óleo de cedro. (É proprietário...) Mais tarde, tomou-me uma inspiração de crítico em delirium tremens: Portentosa figura, feminilmente perfumada e oculta em capote de cetim, com óleo de cedro lustrando aparador em pau-preto. Crítico: vai buscar.
Ele, que é danado, acertou na mosca, apresentando-se aqui com uma garrafa deste Castello d'Alba Vinhas Velhas Grande Reserva 2011, mais outra daquele obscuro tintão, Horta do Bispo 2005 (ainda à venda no Jumbo!)
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VDS – Vinhos do Douro Superior. DOC Douro. Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Francisca, Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional, Sousão. Rui Madeira (enol.). 14,5% vol. Cerca de 10 €.
Grande vinho. Possante, porventura ainda insondável, mas muito rico, muito longo e muito bom. A mim, não me cheirou senão a perfume de mulher ― e a vinho. Palavra de honra. O meu camarada evocou móveis antigos e óleo de cedro. (É proprietário...) Mais tarde, tomou-me uma inspiração de crítico em delirium tremens: Portentosa figura, feminilmente perfumada e oculta em capote de cetim, com óleo de cedro lustrando aparador em pau-preto. Crítico: vai buscar.
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Novas Notas Amadoras,
Rui Madeira,
Sousão,
Tinta Amarela,
Tinta Barroca,
Tinta Francisca,
Tinta Roriz,
Tintos,
Touriga Franca,
Touriga Nacional


