sábado, 27 de outubro de 2012

Lavradores de Feitoria 2009 (Tinto)

DOC Douro. Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz, Tinta Barroca. 13% Vol. 3,98 € (Intermarché).
Bom aroma de fruta, coberto de notas vegetais secas, com sinais de cacau. Ligeiramente amargo.

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

Continuamos a apresentar

Entretanto, ainda tive a alminha de beber e calar o Vinha Grande 2008, tinto.

Também, se é para dizer que o vinho cheira e sabe a Sugus, e que por isso é sugulento, e que é bom comò caramelo, como me ocorreu quando há dias nos deliciávamos com o Crasto Superior 2010, talvez seja melhor estar calado.

sábado, 20 de outubro de 2012

Peludo e rabudo

Primeiras linhas de um artigo oportuno:
«Byron falou de “clarete leve e Madeira forte”, mas será o vinho “poesia engarrafada”, como Robert Louis Stevenson o descreveu? Não, talvez, se percorrer a imortal prosa da típica nota de prova de vinho (as minhas incluídas). Auberon Waugh foi idiossincrático, descrevendo uma vez um tinto de Languedoc como “peludo e rabudo”; Kingsley Amis, mal-humorado: “Quando oiço alguém falar de um vinho austero e impiedoso, torno-me um pouco austero e impiedoso eu próprio.”»

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

Voltamos a apresentar

Nas últimas semanas, para além de não publicar aqui texto algum, não tomei uma só nota de prova. Mas bebi com a devida religião óptimos vinhos, como o Casa Cadaval Trincadeira Vinhas Velhas 2007 ou o Sidónio de Sousa Reserva 2005.

Sem os farejar, sem esquadrinhar, bebi-os. Não escrevi sobre eles uma palavra, fosse compreensível ou delírio. Portanto, bebi-os e, de certa forma, perdi-os.

Vinus fugit.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Nícias e Demóstenes

Um diálogo entre Nícias e Demóstenes, convencidos de não se poderem livrar de certo escravo da Paflagónia.

«NÍCIAS
É melhor então morrer; mas procuremos a morte mais heróica.

DEMÓSTENES
Deixa-me pensar, qual é a mais heróica?

NÍCIAS
Bebamos o sangue de um touro; foi essa morte que Temístocles escolheu.

DEMÓSTENES
Não, isso não, antes um copo cheio de bom vinho puro em honra do Bom Génio; porventura, podemos topar com uma ideia feliz.

NÍCIAS
Olha-me este! «Vinho puro»! A tua cabeça está em querer beber? Será que um homem pode lançar uma ideia brilhante em estando bêbado?

DEMÓSTENES
Sem dúvida. Vai, parvo, rebenta-te com água; atreves-te a acusar o vinho de toldar a razão? Dá-me exemplos de efeitos mais maravilhosos que os do vinho. Ouve! Quando um homem bebe, é rico, tudo o que toca é bem sucedido, ganha processos legais, é feliz e ajuda os amigos. Anda lá, traz cá depressa um jarro de vinho, para eu poder embeber o meu cérebro e ter uma ideia engenhosa.

NÍCIAS
Meu Deus! O que pode fazer por nós tu pores-te a beber?

DEMÓSTENES
Muito. Mas traz-mo, enquanto eu tomo o meu lugar. Uma vez bebido, espalharei pequeninas ideias, pequeninas frases, pequeninos raciocínios por toda a parte.»

Aristófanes, em «Os Cavaleiros»

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Casal da Coelheira Reserva 2010

Centro Agrícola de Tramagal. Regional Tejo. Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Touriga Franca. 13% Vol. 4,98 € (Pingo Doce).
Cor escura. Intenso aroma frutado, com um perfume silvestre e floral. Muito agradável e persistente.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Eis o diabo

Por estes dias, «emigrar» é o verbo. Em Portugal, nós conjugamo-lo como ninguém. Temos séculos de prática. Está-nos na massa do sangue. Quando não nos achamos em apuros financeiros, é o país que é estreito, e triste, e uma choldra ignóbil — enquanto o Mundo pula e avança, e, mesmo que tenha defeitos, ao menos não são os de Portugal, sem dúvida os mais execráveis do mundo.

Hoje, todavia, quem considere a possibilidade de partir deve ter em conta este revés fatal: é que deixará de poder ir ao Lidl comprar, por um ou dois euros e tal, no máximo, o seu Azinhaga de Ouro Reserva, da Castelinho, os seus Torre de Ferro, de Cabriz*, o seu branquinho Uvas Douradas, da Cooperativa de Cantanhede; e os rapazes, apetecendo um vinho capaz mas conforme às magras posses, em não havendo onde pilhar o seu Festa Rija, da Alorna, ver-se-ão forçados a embeber as detestáveis misturas de vinhos da União Europeia.

Portanto, se, por um lado, ansiamos por mandar Portugal às malvas, por outro, não queremos misturas. Donde, compatriotas: — Emigrar ou não emigrar? Eis o diabo.

* Aliás, da Dão Sul. Não é certo que sejam de Cabriz, porque, para além desta, a empresa tem mais três quintas no Dão.

sábado, 8 de setembro de 2012

Chão Rijo 2009 (Tinto)

Adega Regional de Colares. Regional Lisboa. Castelão. 13% Vol. 3,45 €.
Muito agradável aroma frutado, também achocolatado e resinoso. Bem fresco e saboroso. Acompanhou optimamente um caril algo picante.

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

É fruta ou carvalho

Viva, leitor! Estimo que se encontre bem-humorado e de saúde, e que possamos beber um copo um dia destes.

Entretanto, para o compensar da irregularidade estival, o «Amável Vinho» publica hoje um vídeo que, em cerca de quarenta e cinco segundos, ensina a provar e qualificar com o desembaraço dos profissionais. Larry David mostra-lhe como não tem nada que saber.


quarta-feira, 22 de agosto de 2012

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Serra Mãe Reserva 2005

SIVIPA. DOC Palmela. Castelão. 13,5% Vol. ? €.
Cor intensa. Aroma fino de fruta vermelha madura, um sinal vegetal, outro de anis. Aveludado, com boa acidez.

sábado, 11 de agosto de 2012

Não sou um cacho

«Na verdade, senhora — respondeu Sancho —, nunca na minha vida bebi por vício; com sede bem poderia ser, porque não tenho nada de hipócrita; bebo quando tenho vontade, e quando não a tenho, e quando mo dão, para não parecer demasiado cerimonioso ou malcriado; que a um brinde de um amigo, — que coração haverá tão de mármore que não erga o seu copo? Mas embora beba não sou um cacho, tanto mais que os escudeiros dos cavaleiros andantes quase sempre bebem água, porque andam sempre por florestas, bosques e prados, montanhas e rochedos, sem achar uma pinguinha de vinho, embora por ela dêem os olhos da cara.»

Miguel de Cervantes, em «D. Quixote de la Mancha II», p. 809 (Biblioteca Editores Independentes, 2007)