Centro Agrícola de Tramagal. Regional Tejo. Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon, Touriga Franca. 13% Vol. 4,98 € (Pingo Doce).
Cor escura. Intenso aroma frutado, com um perfume silvestre e floral. Muito agradável e persistente.
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
Eis o diabo
Por estes dias, «emigrar» é o verbo. Em Portugal, nós conjugamo-lo como ninguém. Temos séculos de prática. Está-nos na massa do sangue. Quando não nos achamos em apuros financeiros, é o país que é estreito, e triste, e uma choldra ignóbil — enquanto o Mundo pula e avança, e, mesmo que tenha defeitos, ao menos não são os de Portugal, sem dúvida os mais execráveis do mundo.
Hoje, todavia, quem considere a possibilidade de partir deve ter em conta este revés fatal: é que deixará de poder ir ao Lidl comprar, por um ou dois euros e tal, no máximo, o seu Azinhaga de Ouro Reserva, da Castelinho, os seus Torre de Ferro, de Cabriz*, o seu branquinho Uvas Douradas, da Cooperativa de Cantanhede; e os rapazes, apetecendo um vinho capaz mas conforme às magras posses, em não havendo onde pilhar o seu Festa Rija, da Alorna, ver-se-ão forçados a embeber as detestáveis misturas de vinhos da União Europeia.
Portanto, se, por um lado, ansiamos por mandar Portugal às malvas, por outro, não queremos misturas. Donde, compatriotas: — Emigrar ou não emigrar? Eis o diabo.
* Aliás, da Dão Sul. Não é certo que sejam de Cabriz, porque, para além desta, a empresa tem mais três quintas no Dão.
Hoje, todavia, quem considere a possibilidade de partir deve ter em conta este revés fatal: é que deixará de poder ir ao Lidl comprar, por um ou dois euros e tal, no máximo, o seu Azinhaga de Ouro Reserva, da Castelinho, os seus Torre de Ferro, de Cabriz*, o seu branquinho Uvas Douradas, da Cooperativa de Cantanhede; e os rapazes, apetecendo um vinho capaz mas conforme às magras posses, em não havendo onde pilhar o seu Festa Rija, da Alorna, ver-se-ão forçados a embeber as detestáveis misturas de vinhos da União Europeia.
Portanto, se, por um lado, ansiamos por mandar Portugal às malvas, por outro, não queremos misturas. Donde, compatriotas: — Emigrar ou não emigrar? Eis o diabo.
* Aliás, da Dão Sul. Não é certo que sejam de Cabriz, porque, para além desta, a empresa tem mais três quintas no Dão.
sábado, 8 de setembro de 2012
Chão Rijo 2009 (Tinto)
Adega Regional de Colares. Regional Lisboa. Castelão. 13% Vol. 3,45 €.
Muito agradável aroma frutado, também achocolatado e resinoso. Bem fresco e saboroso. Acompanhou optimamente um caril algo picante.
Muito agradável aroma frutado, também achocolatado e resinoso. Bem fresco e saboroso. Acompanhou optimamente um caril algo picante.
quarta-feira, 5 de setembro de 2012
É fruta ou carvalho
Viva, leitor! Estimo que se encontre bem-humorado e de saúde, e que possamos beber um copo um dia destes.
Entretanto, para o compensar da irregularidade estival, o «Amável Vinho» publica hoje um vídeo que, em cerca de quarenta e cinco segundos, ensina a provar e qualificar com o desembaraço dos profissionais. Larry David mostra-lhe como não tem nada que saber.
Entretanto, para o compensar da irregularidade estival, o «Amável Vinho» publica hoje um vídeo que, em cerca de quarenta e cinco segundos, ensina a provar e qualificar com o desembaraço dos profissionais. Larry David mostra-lhe como não tem nada que saber.
quarta-feira, 22 de agosto de 2012
Como morrer novo
«Consumir vinho com moderação diariamente ajudará as pessoas a morrer novas o mais tarde possível.»
Dr. Philip Norrie
Dr. Philip Norrie
quarta-feira, 15 de agosto de 2012
Serra Mãe Reserva 2005
SIVIPA. DOC Palmela. Castelão. 13,5% Vol. ? €.
Cor intensa. Aroma fino de fruta vermelha madura, um sinal vegetal, outro de anis. Aveludado, com boa acidez.
Cor intensa. Aroma fino de fruta vermelha madura, um sinal vegetal, outro de anis. Aveludado, com boa acidez.
sábado, 11 de agosto de 2012
Não sou um cacho
«Na verdade, senhora — respondeu Sancho —, nunca na minha vida bebi por vício; com sede bem poderia ser, porque não tenho nada de hipócrita; bebo quando tenho vontade, e quando não a tenho, e quando mo dão, para não parecer demasiado cerimonioso ou malcriado; que a um brinde de um amigo, — que coração haverá tão de mármore que não erga o seu copo? Mas embora beba não sou um cacho, tanto mais que os escudeiros dos cavaleiros andantes quase sempre bebem água, porque andam sempre por florestas, bosques e prados, montanhas e rochedos, sem achar uma pinguinha de vinho, embora por ela dêem os olhos da cara.»
Miguel de Cervantes, em «D. Quixote de la Mancha II», p. 809 (Biblioteca Editores Independentes, 2007)
Miguel de Cervantes, em «D. Quixote de la Mancha II», p. 809 (Biblioteca Editores Independentes, 2007)
quarta-feira, 8 de agosto de 2012
Ribeiro Corrêa Chardonnay 2009
Casa Agrícola Ribeiro Corrêa. Regional Lisboa. 13% Vol. 6,49 € (Intermarché, Arruda dos Vinhos).
Perfumado e fresco. Pêssego, coalhada de limão. Sabor amanteigado.
Perfumado e fresco. Pêssego, coalhada de limão. Sabor amanteigado.
sábado, 4 de agosto de 2012
terça-feira, 31 de julho de 2012
Pegos Claros 2005
Companhia das Quintas. DOC Palmela. Castelão. 14% Vol. Cerca de 4 € (Ecomarché, Merceana).
Às primeiras, carnudo e achocolatado. Dias depois, o típico bálsamo de fruta, compota, sinais de baunilha. Gostava-o menos alcoólico.
Às primeiras, carnudo e achocolatado. Dias depois, o típico bálsamo de fruta, compota, sinais de baunilha. Gostava-o menos alcoólico.
sexta-feira, 27 de julho de 2012
Não aldrabarás com floreados
«A mais nobre tradição dos Nicolau de Almeida era a prova de vinhos. Todos sabem de cor os seus mandamentos. “O que não cheira bem, não se mete à boca”, reza a primeira lição. A apreciação deve ser curta e clara, floreados escondem pouco saber e muita vaidade, ordena a segunda.»
Ana Sofia Fonseca, em «Barca Velha: Histórias de Um Vinho», p. 48 (Oficina do Livro, 2012)
Ana Sofia Fonseca, em «Barca Velha: Histórias de Um Vinho», p. 48 (Oficina do Livro, 2012)
terça-feira, 24 de julho de 2012
Entrevista com António Barreto
Que diz sobre os portugueses o vinho que se produz em Portugal?
Diz que o melhor vinho de Portugal e um dos melhores vinhos do mundo, o vinho do Porto, foi feito há muito, resultou da colaboração entre Portugueses e estrangeiros e era muito pouco apreciado e bebido em Portugal.
Diz também que os Portugueses mudaram muito nestes trinta ou quarenta anos. Nos anos setenta, era reduzidíssimo o número de boas garrafas de vinho tinto que se podia comprar e beber em Portugal. E ainda menor o de vinhos brancos. Hoje, há excelentes vinhos de excepcional qualidade, comparáveis com o que de melhor se faz.
Disse em outra entrevista: — «Gosto muito de vinho para beber, para estudar, como arte.» Uma garrafa de vinho pode ser tão bela como o binómio de Newton e a Vénus de Milo?
Dizem os puritanos e os abstémios que, quando se fala de vinho, há sempre a tendência para exagerar. É capaz de ser verdade. Mas há motivos para isso. O que um bom vinho significa, de tradição, de técnica, de cuidado, de ciência, de saber acumulado e de emoção é quase inacreditável! Quem não percebe isso, percebe pouco da vida.
Num discurso, citou o Barão de Forrester: — «Em casa de um gentleman português, é tão raro encontrar um livro como uma garrafa de vinho!» Em sua casa, há tantas garrafas como livros? De umas e outros, mais clássicos ou modernos?
Muitos livros e muitas garrafas. De todas as idades. De todos os volumes. De todas as cores. De todos os espíritos.
Diz que o melhor vinho de Portugal e um dos melhores vinhos do mundo, o vinho do Porto, foi feito há muito, resultou da colaboração entre Portugueses e estrangeiros e era muito pouco apreciado e bebido em Portugal.
Diz também que os Portugueses mudaram muito nestes trinta ou quarenta anos. Nos anos setenta, era reduzidíssimo o número de boas garrafas de vinho tinto que se podia comprar e beber em Portugal. E ainda menor o de vinhos brancos. Hoje, há excelentes vinhos de excepcional qualidade, comparáveis com o que de melhor se faz.
Disse em outra entrevista: — «Gosto muito de vinho para beber, para estudar, como arte.» Uma garrafa de vinho pode ser tão bela como o binómio de Newton e a Vénus de Milo?
Dizem os puritanos e os abstémios que, quando se fala de vinho, há sempre a tendência para exagerar. É capaz de ser verdade. Mas há motivos para isso. O que um bom vinho significa, de tradição, de técnica, de cuidado, de ciência, de saber acumulado e de emoção é quase inacreditável! Quem não percebe isso, percebe pouco da vida.
Num discurso, citou o Barão de Forrester: — «Em casa de um gentleman português, é tão raro encontrar um livro como uma garrafa de vinho!» Em sua casa, há tantas garrafas como livros? De umas e outros, mais clássicos ou modernos?
Muitos livros e muitas garrafas. De todas as idades. De todos os volumes. De todas as cores. De todos os espíritos.