quarta-feira, 22 de agosto de 2012

Como morrer novo

«Consumir vinho com moderação diariamente ajudará as pessoas a morrer novas o mais tarde possível

Dr. Philip Norrie

quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Serra Mãe Reserva 2005

SIVIPA. DOC Palmela. Castelão. 13,5% Vol. ? €.
Cor intensa. Aroma fino de fruta vermelha madura, um sinal vegetal, outro de anis. Aveludado, com boa acidez.

sábado, 11 de agosto de 2012

Não sou um cacho

«Na verdade, senhora — respondeu Sancho —, nunca na minha vida bebi por vício; com sede bem poderia ser, porque não tenho nada de hipócrita; bebo quando tenho vontade, e quando não a tenho, e quando mo dão, para não parecer demasiado cerimonioso ou malcriado; que a um brinde de um amigo, — que coração haverá tão de mármore que não erga o seu copo? Mas embora beba não sou um cacho, tanto mais que os escudeiros dos cavaleiros andantes quase sempre bebem água, porque andam sempre por florestas, bosques e prados, montanhas e rochedos, sem achar uma pinguinha de vinho, embora por ela dêem os olhos da cara.»

Miguel de Cervantes, em «D. Quixote de la Mancha II», p. 809 (Biblioteca Editores Independentes, 2007)

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Ribeiro Corrêa Chardonnay 2009

Casa Agrícola Ribeiro Corrêa. Regional Lisboa. 13% Vol. 6,49 € (Intermarché, Arruda dos Vinhos).
Perfumado e fresco. Pêssego, coalhada de limão. Sabor amanteigado.

sábado, 4 de agosto de 2012

Juntar vinho

«Quando uma receita diz “juntar vinho”, nunca perguntar “a quê?”.»

Anónimo

terça-feira, 31 de julho de 2012

Pegos Claros 2005

Companhia das Quintas. DOC Palmela. Castelão. 14% Vol. Cerca de 4 € (Ecomarché, Merceana).
Às primeiras, carnudo e achocolatado. Dias depois, o típico bálsamo de fruta, compota, sinais de baunilha. Gostava-o menos alcoólico.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Não aldrabarás com floreados

«A mais nobre tradição dos Nicolau de Almeida era a prova de vinhos. Todos sabem de cor os seus mandamentos. “O que não cheira bem, não se mete à boca”, reza a primeira lição. A apreciação deve ser curta e clara, floreados escondem pouco saber e muita vaidade, ordena a segunda.»

Ana Sofia Fonseca, em «Barca Velha: Histórias de Um Vinho», p. 48 (Oficina do Livro, 2012)

terça-feira, 24 de julho de 2012

Entrevista com António Barreto

Que diz sobre os portugueses o vinho que se produz em Portugal?
Diz que o melhor vinho de Portugal e um dos melhores vinhos do mundo, o vinho do Porto, foi feito há muito, resultou da colaboração entre Portugueses e estrangeiros e era muito pouco apreciado e bebido em Portugal.
Diz também que os Portugueses mudaram muito nestes trinta ou quarenta anos. Nos anos setenta, era reduzidíssimo o número de boas garrafas de vinho tinto que se podia comprar e beber em Portugal. E ainda menor o de vinhos brancos. Hoje, há excelentes vinhos de excepcional qualidade, comparáveis com o que de melhor se faz.

Disse em outra entrevista: — «Gosto muito de vinho para beber, para estudar, como arte.» Uma garrafa de vinho pode ser tão bela como o binómio de Newton e a Vénus de Milo?
Dizem os puritanos e os abstémios que, quando se fala de vinho, há sempre a tendência para exagerar. É capaz de ser verdade. Mas há motivos para isso. O que um bom vinho significa, de tradição, de técnica, de cuidado, de ciência, de saber acumulado e de emoção é quase inacreditável! Quem não percebe isso, percebe pouco da vida.

Num discurso, citou o Barão de Forrester: — «Em casa de um gentleman português, é tão raro encontrar um livro como uma garrafa de vinho!» Em sua casa, há tantas garrafas como livros? De umas e outros, mais clássicos ou modernos?
Muitos livros e muitas garrafas. De todas as idades. De todos os volumes. De todas as cores. De todos os espíritos.

sábado, 21 de julho de 2012

Permanência e lealdade

O sociólogo António Barreto é sobejamente conhecido e reconhecido pelo valor da sua actividade e do seu pensamento. Presidente do Conselho de Administração da Fundação Francisco Manuel dos Santos, dedicada ao estudo da sociedade portuguesa, colunista no «Público», muitas vezes chamado a comentar nas televisões actualidade e política — mas também presidente da Assembleia Geral da Lavradores de Feitoria, autor da monografia «Douro» e, com a cineasta Joana Pontes, do documentário «As Horas do Douro» (a mesma dupla havia anteriormente realizado a série televisiva «Portugal, Um Retrato Social»).

É António Barreto o próximo entrevistado no «Amável Vinho». Por antecipação, há que ler uma crónica sua, de 2007, intitulada «São Martinho», e apreciar a colecção das suas fotografias, que vem publicando no blogue «Jacarandá».

António Barreto também é fotógrafo amador

A propósito da floração dos jacarandás de Lisboa, o sociólogo escreveu esta frase oportuna, que deixo aqui afixada, como uma revelação singela e fundamental: — «(…) é bom perceber que há coisas eternas, cuja repetição sazonal nos dá a garantia de que a vida nos oferece permanência e lealdade!»

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Um homem muito notável

No dia em que nos despedimos do Professor José Hermano Saraiva — um homem muito notável, como ele dizia de muitos homens e muitas obras —, copos ao alto em honra da sua vida; pela paz da sua alma.

Ficam os seus livros, os seus programas, o seu exemplo de dedicação à cultura portuguesa, de estudo, de entusiasmo, de trabalho, de transmissão do saber. E esta reflexão sua, recolhida num «A Alma e a Gente», para guardar:
«Nós somos aquilo em que acreditamos, e, se não acreditarmos em nada, não somos coisa nenhuma.»

terça-feira, 17 de julho de 2012

Adega Coop. de Borba Reserva 1978

Sabendo da minha religião pelo vinho, uma alma magnânima doou-me uma garrafa de 1978. 34 anos, um tinto de Borba. Quantos dariam alguma coisa por ele? Eu mesmo, apesar do bom estado da cápsula e do satisfatório nível de vinho na garrafa, talvez só o comprasse muito barato.

Em todo o caso, abri com fé e o devido cuidado a atenciosa dádiva. Mal retirei o topo da cápsula, começou a cheirar bem. A rolha quebrou-se no gargalo, mas saiu em metades inteiras. Para não o deitar a perder, não decantei o vinho.

Ah, leitor. Ele não só estava bebível, como estava vivo e bom. Bem entendido, não era nenhum alto prodígio. Mas não me enterneceu menos que a visão das muitas andorinhas que veraneiam pelas ruas frescas da Ericeira.

Almas magnânimas, vinho vivaz, as andorinhas. Afinal, podemos ter esperança.

Um copo de esperança

Adega Coop. de Borba Reserva 1978
12,5% Vol. Sem mais indicações.
Rubi alourado. Café, chocolate, couro, uma nota vegetal balsâmica, outra a lembrar espargos. Um côvado de veludo! Persistência notável.

sábado, 14 de julho de 2012

Inóxia carraspana

«Ega deu imediatamente um pulo da cama, e atordoado, esguedelhado, procurava a roupa, com as canelas nuas, tropeçando contra os móveis. Só achou o gibão de Satanás. Chamaram o criado, que trouxe umas calças de Craft. Ega enfiou-as à pressa: e sem se lavar, com a barba por fazer, a gola do paletó erguida, enterrou enfim na cabeça o boné escocês, voltou-se para Carlos, disse com um ar trágico:
— Vamos a isso!
Craft, que se erguera, foi acompanhá-los ao portão, onde esperava o coupé de Carlos. Na alameda de acácias, tão tenebrosa na véspera sob a chuva, cantavam agora os pássaros. A quinta, fresca e lavada, verdejava ao sol. O grande terra-nova do Craft pulava em roda deles.
— Dói-te a cabeça, Ega? — perguntou Craft.
— Não — respondeu o outro, acabando de abotoar o paletó. — Eu ontem não estava bêbado… O que estava era fraco.
Mas, ao entrar para o coupé, fez, com um ar profundo e filosófico, esta reflexão: — O que é a gente beber bons vinhos… Estou como se não fosse nada!»

Eça de Queiroz, em «Os Maias»