terça-feira, 10 de julho de 2012

Um brinde com Solista Touriga Nacional 2009

No dia em que Sokolov, muitas vezes referido como o maior pianista vivo, toca em Sintra, um brinde à sua grande arte!

Solista Touriga Nacional 2009
Adega Mayor. Regional Alentejano. Touriga Nacional. 14% Vol. Oferta do produtor (11,90 €).
Muito perfumoso. Frutado, torradinho, condimentado, com sinais de baunilha e canela. Airoso e sedutor.

Adenda § Não posso brindar a Sokolov e deixar de saudar, com a mesma admiração, a actuação de Artur Pizarro no Palácio de Queluz, anteontem. O leitor sabe como o sublime nos transporta, nos aproxima do Divino, nos reconcilia com o Mundo. Assim foi Pizarro. Importa reconhecê-lo, seguindo o preceito legado por Rodin: — «A admiração é um vinho generoso para os espíritos nobres.»

sexta-feira, 6 de julho de 2012

Fazer com termos

Vista de perto

Caramba. Já vai fazer um ano, uma tarde incrível que passei na Quinta dos Termos. Tinha resolvido não escrever sobre ela. Nas semanas precedentes, visitara sucessivamente, com pouco intervalo, a Casa Ermelinda Freitas, a Casa das Gaeiras, a Herdade do Mouchão, a Quinta do Monte d'Oiro. Calhou depois a ida aos Termos, em circunstâncias diferentes, particulares. Para mais, os sucessos dessa tarde foram tão singulares, e inesperados, e pessoais, que achei por bem guardá-los.

No entanto, caí em mim. Não fiz no «Amável Vinho», até à data, uma só referência à Quinta dos Termos. O meu lapso é tão mais deplorável quanto o lugar é inspirador de enlevos, a produção, merecedora de louvores, a gente, credora de boas palavras. Pois urge repará-lo — mesmo porque, não obstante a profusão de prémios recebidos, a Quinta dos Termos ainda parece ser mal conhecida dos consumidores.

Para abreviar, e não ficar agora o leitor sem saber dos tais sucessos, resumirei o essencial. À chegada, participámos na escolha de um lote de tinto para a Noruega. Depois, almoçámos à mesa de João Carvalho, proprietário dos Termos e presidente da CVR da Beira Interior, com a família, o Prof. Virgílio Loureiro e o Prof. Malfeito Ferreira, os técnicos encarregues da enologia. (Na região, os dois académicos colaboram também com a Cooperativa da Covilhã. Por isso até o vinho de mesa lá fabricado mostra ciência…) Para digerir, o anfitrião conduziu-nos num passeio vagaroso através do relevo acidentado da propriedade, a admirar as videiras, os penedos, os carvalhos-cerquinhos, as serras que configuram a Cova da Beira, o vasto horizonte repassado de calor.

Vista do alto

Antes de partirmos, fomos à adega provar das cubas inúmeros vinhos estremes, sempre na companhia animada e sábia do produtor e dos enólogos. Os vinhos, brancos e tintos, são de uma qualidade excelente, deliciosa. Um melhor que o outro, e são muitos. Sobretudo, estão aptos a enfrentar a prova do tempo, graças a uma rica acidez natural, esmerada pela ciência e pela sensibilidade gastronómica dos vinicultores.

O Prof. Virgílio Loureiro costuma gracejar com quem prova o seu vinho, dando à frase certa entoação que pede acordo: — «Não está mal feitinho!…» Pois não está, não, senhor. Está feito com termos!

terça-feira, 3 de julho de 2012

Horta do Bispo 2005

Agora que por fim dei sumiço a uma caixa deste vinho, desconfio estar involuntariamente participando num estudo sociológico, ou de mercado, ou do psiquismo colectivo, cujo método consiste em vender, disfarçado com um rótulo enigmático, um tintão de categoria a um preçozito ridículo, para depois avaliar como reagem os compradores.
Parece que se chama «Horta do Bispo». Os rótulos indicam 2005, Herdade da Sobreira, Estremoz. «Cuidada selecção de uvas das castas Syrah, Trincadeira e Alicante Bouschet», «12 meses em barricas de carvalho francês e americano», «elegante, equilibrado e persistente».
As pesquisas na Internet não deram em nada. A correspondência com a Rota dos Vinhos do Alentejo também não.
Seja como for, quero deixar declarado, só para o caso, que podem sempre contar comigo para estudos desta natureza. Por mor da ciência, tudo.

Consta que é «Horta do Bispo»

Horta do Bispo 2005
Herdade da Sobreira. Regional Alentejano. Syrah, Trincadeira, Alicante Bouschet. 14% Vol. 2,29 € (Jumbo, Almada).
Retinto. Recendente a fruta madura, ameixas, framboesas, plantas silvestres, especiarias. Taninos levemente amargos, para durar.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

S. Filipe 2008 (Tinto)

Filipe Jorge Palhoça. Regional Terras do Sado. Castelão. 13,5% Vol. Cerca de 3,50 € (Jumbo, Setúbal).
Rubi. Exemplar de quão bem mescla o Castelão do Poceirão e arredores com a madeira de carvalho. Um bálsamo frutado perfeitamente casado. Macio, fresco, saboroso. Gostei muito.

terça-feira, 26 de junho de 2012

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Portas do Tejo 2011

Trouxe este branco do Pingo Doce do Fórum Sintra. Ainda o não vi em nenhum outro supermercado.
Recentemente, foi galardoado com «Ouro» no III Concurso de Vinhos Engarrafados do Tejo. No Concurso Nacional de Vinhos de 2012, alcançou a «Prata».
De resto, foi o Portas do Tejo branco que, no ano passado, rendeu à Cooperativa de Almeirim um valioso contrato de fornecimento para a Suécia.
Entre nós, dá-se menos de 2 € por uma garrafa. A crise da dívida não é a crise da liquidez. Graças a Deus.

Portas do Tejo 2011
Adega Cooperativa de Almeirim. Regional Tejo. Fernão Pires, Moscatel Graúdo. 12% Vol. 1,79 €.
Amarelo-claro. Lembra banana e manjericão! (Entretanto, também provei a colheita de 2010. Manteiga e maracujá!) É teso. Sabe à Moscatel. Vai passar o Verão cá em casa.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Beyra 2011

Beyra – Vinhos de Altitude. DOC Beira Interior. Síria, Fonte Cal. 13% Vol. 3,95 €.
Amarelo-claro. Vivo aroma citrino. Tângera e toranja. Acidez apetitosa. Muito bom.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Versejar

Outra gota respingada do livrinho de citações «Save Water, Drink Wine».

«Vinho é poesia engarrafada.»

terça-feira, 12 de junho de 2012

Rayo 2010

Descobri este tinto no Supercor. O letreiro junto às garrafas informava que «Rayo de Arraiolos» é uma marca exclusiva do El Corte Inglés e que o enólogo é Rui Reguinga.
A julgar pela coincidência de castas, teor alcoólico e demais indicações, o vinho em apreço e o Fonte da Serrana poderão ser o mesmo.

Rayo 2010
Soc. Agr. D. Diniz. Regional Alentejano. Aragonez, Trincadeira, Touriga Nacional. 13,5% Vol. 2,85 €.
Rubi transparente. Bem aromático. Fruta, torrefacção, caramelos de fruta. Bom de beber.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Bebe vinho e serás salvo

Uma querida amiga trouxe-nos de Birmingham um livrinho catita. Tem por título «Save Water, Drink Wine». Poupe água, beba vinho.
Podemos dizer que se trata de um livro auto-motivacional. Auto-motiva a beber vinho. Portanto, é uma obra de inestimável valor civilizacional e filosófico. Penso que, vertida para o Português, pode ser instrumental para vencermos a crise. Pois verterei nesta página, às pinguinhas, o meu contributo à Pátria!
Vede se a primeira não corrobora inteiramente o que digo. Vem atribuída à sabedoria popular medieval. Da Alemanha.

«Bebe vinho, e dormirás bem. Dorme, e não pecarás. Evita o pecado, e serás salvo. Logo, bebe vinho e serás salvo.»

terça-feira, 5 de junho de 2012

Dias de vinho e bolos

Pedra do Urso e figueirinha

No tempo em que era aluno da Faculdade de Letras, as terças-feiras eram dias especialmente saborosos. Findas as aulas matutinas, percorria, de metro e autocarro, a curta distância entre a Cidade Universitária e a casa dos meus Avós. (Também o meu Avô Zé Reinaldo frequentara a Cidade Universitária. Não perdia uma só ocasião de dizer que tinha andado nas duas Faculdades, Letras e Direito. «Pois andei! Andei a instalar a canalização.»)
Quando chegava, havia o meu Avô de estar, com um garfo determinado, a recalcar pacientemente os bifes no grelhador. «Adeus, rapaz!» É possível que, ao mesmo tempo, ombro a ombro diante do fogão elevado, a minha Avó Natividade ultimasse o apronto dos condutos, simples, infalíveis, apetitosos.
A mesa estaria posta, com os apetrechos necessários, pão, uns pratinhos sob os copos, para não sujar a toalha. Ocupávamos os nossos lugares. Eu sentava-me à direita do meu Avô, defronte à minha Avó e ao louceiro espelhado.
Enquanto a Natividade distribuía arrozes, saladas com coentros, às vezes batatas fritas (que faz salivar mais um comilão de vinte anos do que bifes e batatas fritas?), o Zé Reinaldo abria a garrafa de Pedra do Urso, visivelmente satisfeito, e enchia bem cheios os copos, como era de regra, até ao rebordo. Fechava a garrafa, pousava-a em seu pratinho. Tomava o copo. Devagar, com cuidado, curvando-se um pouco, levava-o aos lábios, que avançava e dispunha como se o fora beijar, e sorvia o primeiro gole regalado do vinho ligeiramente fresco.
«Comprei esta garrafa para a gente beber, hã?» O meu Avô visivelmente satisfeito. «Este vinho é bom.» (Passados tantos anos, fui eu comprar uma garrafa de Pedra do Urso, e depois outras, para sondar o seu mistério. — Oriundo da Cooperativa da Covilhã. Vinho de Mesa. Rufete, Jaen, Trincadeira. 12,5% Vol. Rubi transparente. Frutado, levemente perfumado. Bem composto, do tipo corredio. — Este vinho é bom, e nem só por ser dos favoritos do meu Avô. Como o Porta dos Cavaleiros, de que gosto muito também por me fazer lembrá-lo, as histórias que contava de quando andou por Viseu, na construção do edifício da Segurança Social, o meu telefonema só para lhe dizer — «Estou na Porta dos Cavaleiros!»)
O meu Avô galhofeiro. «Olha que hoje era peixe! A tua Avó é que teve pena de ti…» Também era ela que nunca esquecia os pudins de chocolate, as roscas de manteiga, as bolinhas de maçapão. «Para que vejas a Avó que aqui tens!» E, com os olhos escuros brilhantes, dobrando os dedos grossos e morenos, fazia-lhe no rosto uma carícia.
Contentes e despreocupados o bastante, o meu Avô e eu bebíamos a garrafa de Pedra do Urso que ele comprava para a gente beber. Mesmo que fosse com peixe, decerto aquele vinho não me consolaria menos. Bebíamos com sede cada decilitro. Decilitrávamos o Pedra do Urso. Nem por isso bebíamos muito. Antes dos dietistas, dos higienistas, dos moralistas modernos, um homem que bebesse pouco era que bebia só meia garrafa às refeições. Nós nem esse pouco, mas eu, mal saído da abstinência, não tardava a sentir um formigueiro suavíssimo na planta dos pés. Por fim, não obstante todo o peso de livros, sebentas e bolos, voltava leve para a Faculdade, com boas cores, saciado e feliz.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Angelus Reserva 2000

Decididamente, preciso aqui de um marcador para absurdos.
Este vinho, encontrei-o no Intermarché de Torres Vedras. (Começa a tomar forma um padrão…) Apanhei a última das últimas garrafas.
2,48 €? Mas anda tudo doudo?

Angelus Reserva 2000
Caves Aliança. DOC Bairrada. Baga. 13% Vol. 2,48 €.
Vermelho-escuro. Aroma complexo, maduro, frutado, fumado, balsâmico. Fino, fresco, taninoso e longo. Óptimo.