Por falar em Castelão e Fernando Pó, eis a nota de prova de um vinho aludido há tempos.
A propósito, quando vi comparar Castelão a Pinot Noir, o que primeiro me lembrou foram justamente as notas aromáticas animais, que julgo serem características de ambas as castas, quando criadas nos melhores terroirs.
Casal Freitas 2008
José Bento da Silva Freitas. Regional Terras do Sado. Castelão, Touriga Nacional, Syrah. 13,5% Vol. Cerca de 2,50 €.
Vermelho-escuro intenso. Aroma frutado, de feição gorda, com certa nota animal, que parece lembrar ovelhas… Corpo fluido, sabor equilibrado, com um toque vegetal.
sábado, 21 de janeiro de 2012
quinta-feira, 19 de janeiro de 2012
Uma palavrinha
Que máquina extravagante é o cérebro humano. Hoje, sem mais nem porquê, meteu-se-me na ideia que falhara uma palavra na primeira citação do artigo anterior, sobre os vinhos de Castelão de Palmela. Fui ver, e de facto faltava essa palavra (já não falta, assim como o par de aspas que havia também subtraído ao original).
Para me redimir, copio aqui o mesmo trecho, alargando-o, por ser de interesse. Ora veja o leitor que diferença faz uma palavra.
Para me redimir, copio aqui o mesmo trecho, alargando-o, por ser de interesse. Ora veja o leitor que diferença faz uma palavra.
«A Península de Setúbal é, talvez, a zona do País onde ela [a Castelão] melhor se adapta, embora se lhe reconheçam comportamentos muito distintos. Assim, nas areias do Poceirão e Fernando Pó, em bons anos de colheita, pode atingir 6 a 8 toneladas de uva por hectare, com um grau provável de 13-13,5%, rica de cor, muito aromática e equilibrada na acidez. Origina, então, belos vinhos de guarda, carnudos, com notas aromáticas de frutos vermelhos e plantas silvestres, que “casam” muito bem com o perfume do carvalho francês.»
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
Conhecer. Comunicar.
Há umas poucas semanas, trouxe finalmente para casa certa garrafa que me trazia curioso: Hero da Machoca Grande Escolha 2001. Não sabia do vinho senão, como estava à vista, que era Castelão de Palmela estreme, vinificado em lagares tradicionais, premiado em Bruxelas com medalha de prata, em 2004.
Desarrolhei a dita garrafa no outro fim-de-semana, por ocasião de um almoço em família. Não pude na circunstância tomar grande sentido no copo, mas o vinho era uma flagrante delícia, caso sério a requerer atenção. No dia seguinte, voltei ao supermercado e deitei mão às três garrafas que restavam na prateleira, as mesmíssimas que havia semanas lá deixara.
Este domingo, cá se bebeu outra, de par com uma travessa de almôndegas, récipe de influência transmontano-neerlandesa. O vinho confirmou-se esplêndido (a nota de prova terá de esperar pela garrafa seguinte), com todas as qualidades que se reconhecem aos melhores exemplares da Castelão de Palmela, como são apontadas no guia de referência em matérias de ciência vitivinícola nacional: — «belos vinhos de guarda, carnudos, com notas aromáticas de frutos vermelhos e plantas silvestres, que “casam” muito bem com o perfume do carvalho francês.» Sobre o produtor deste Hero da Machoca, diz-se aí também que as suas vinhas são maioritariamente velhas e «estão situadas no Poceirão e na Marateca, consideradas zonas excepcionais para a produção de uvas da casta Castelão.» Depois há «a mão do enólogo António Saramago — um verdadeiro mestre da casta e da região».
Note-se ainda que Filipa Tomaz da Costa, a primeira das enólogas portuguesas, compara mesmo a Castelão da Península de Setúbal à Pinot Noir da Borgonha.
Quero eu afinal chegar ao preço que paguei por este vinho rico e longevo, feito de uma casta autóctone de Portugal, no seu terroir mais propício, por um dos nossos mais conceituados vinicultores — portanto, um produto de qualidade superior, que serviria bem o fim de ilustrar e promover nos mercados de exportação o carácter genuíno dos vinhos portugueses. Embora ele se venda na origem a 9,45 €, eu comprei num Intermarché o Hero da Machoca Grande Escolha 2001 por 3,99 €.
Casos destes são, no imediato, formidáveis para o consumidor escasso de finanças; mas para o produtor, para a Economia, para o futuro do país, não se conhecer de entre o bom o singular, não o comunicar, e malbaratar a riqueza que se tem — é aviltante.
Desarrolhei a dita garrafa no outro fim-de-semana, por ocasião de um almoço em família. Não pude na circunstância tomar grande sentido no copo, mas o vinho era uma flagrante delícia, caso sério a requerer atenção. No dia seguinte, voltei ao supermercado e deitei mão às três garrafas que restavam na prateleira, as mesmíssimas que havia semanas lá deixara.
Este domingo, cá se bebeu outra, de par com uma travessa de almôndegas, récipe de influência transmontano-neerlandesa. O vinho confirmou-se esplêndido (a nota de prova terá de esperar pela garrafa seguinte), com todas as qualidades que se reconhecem aos melhores exemplares da Castelão de Palmela, como são apontadas no guia de referência em matérias de ciência vitivinícola nacional: — «belos vinhos de guarda, carnudos, com notas aromáticas de frutos vermelhos e plantas silvestres, que “casam” muito bem com o perfume do carvalho francês.» Sobre o produtor deste Hero da Machoca, diz-se aí também que as suas vinhas são maioritariamente velhas e «estão situadas no Poceirão e na Marateca, consideradas zonas excepcionais para a produção de uvas da casta Castelão.» Depois há «a mão do enólogo António Saramago — um verdadeiro mestre da casta e da região».
Note-se ainda que Filipa Tomaz da Costa, a primeira das enólogas portuguesas, compara mesmo a Castelão da Península de Setúbal à Pinot Noir da Borgonha.
Quero eu afinal chegar ao preço que paguei por este vinho rico e longevo, feito de uma casta autóctone de Portugal, no seu terroir mais propício, por um dos nossos mais conceituados vinicultores — portanto, um produto de qualidade superior, que serviria bem o fim de ilustrar e promover nos mercados de exportação o carácter genuíno dos vinhos portugueses. Embora ele se venda na origem a 9,45 €, eu comprei num Intermarché o Hero da Machoca Grande Escolha 2001 por 3,99 €.
Casos destes são, no imediato, formidáveis para o consumidor escasso de finanças; mas para o produtor, para a Economia, para o futuro do país, não se conhecer de entre o bom o singular, não o comunicar, e malbaratar a riqueza que se tem — é aviltante.
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Notas Amadoras: Quinta do Poço do Lobo Reserva 2007
Caves São João. DOC Bairrada. Baga, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon. 13,5% Vol. 7,23 €.
Vermelho-escuro intenso. Aroma de fruta e plantas silvestres, com um toque de chocolate. Sabor maduro, macio e equilibrado.
Vermelho-escuro intenso. Aroma de fruta e plantas silvestres, com um toque de chocolate. Sabor maduro, macio e equilibrado.
sexta-feira, 6 de janeiro de 2012
Notas Amadoras: Quinta do Casal Branco 2010
Regional Tejo. Fernão Pires. 13% Vol. Cerca de 3 €.
Amarelo-claro. O aroma intenso, frutado e floral, lembra marmelo, mas também fumo e azeitonas. Esperto na boca, com acidez citrina e uma ligeira sensação de espessura.
Amarelo-claro. O aroma intenso, frutado e floral, lembra marmelo, mas também fumo e azeitonas. Esperto na boca, com acidez citrina e uma ligeira sensação de espessura.
sexta-feira, 30 de dezembro de 2011
Até 2012. Não desespereis.
«Aonde quer que nos leve a fortuna, mais amável que meu pai,
nós iremos, amigos e companheiros!
Não desespereis. É Teucro o guia, Teucro o áugure:
prometeu o infalível Apolo
em nova terra uma segunda Salamina.
Bravos heróis, que comigo males bem piores
tantas vezes sofrestes, afastai por ora com o vinho as mágoas.
Amanhã, sulcaremos de novo ingente o mar.»
Horácio, em «Odes», p. 62 (Cotovia, 2008)
nós iremos, amigos e companheiros!
Não desespereis. É Teucro o guia, Teucro o áugure:
prometeu o infalível Apolo
em nova terra uma segunda Salamina.
Bravos heróis, que comigo males bem piores
tantas vezes sofrestes, afastai por ora com o vinho as mágoas.
Amanhã, sulcaremos de novo ingente o mar.»
Horácio, em «Odes», p. 62 (Cotovia, 2008)
quarta-feira, 28 de dezembro de 2011
Notas Amadoras: D. Graça Reserva 2007
Vinilourenço. DOC Douro. Touriga Nacional, Tinta Roriz, Touriga Franca, Tinta Barroca. 13% Vol. Cerca de 4,50 €.
Vermelho-escuro intenso. O aroma lembra pêra, amoras, biscoitos, com notas abaunilhadas e florais. Bem estruturado, taninos sensíveis e macios, sabor persistente.
Vermelho-escuro intenso. O aroma lembra pêra, amoras, biscoitos, com notas abaunilhadas e florais. Bem estruturado, taninos sensíveis e macios, sabor persistente.
quarta-feira, 14 de dezembro de 2011
Notas Amadoras: Grand'Arte Pinot Noir 2006
DFJ Vinhos. Regional Estremadura. 14% Vol. 5,59 €.
Vermelho transparente. O aroma lembra cogumelos, fruta silvestre, caramelo. Macio na boca, com leve amargor final.
Vermelho transparente. O aroma lembra cogumelos, fruta silvestre, caramelo. Macio na boca, com leve amargor final.
sexta-feira, 9 de dezembro de 2011
Notas Amadoras: Alento 2009
Luís Louro. Regional Alentejano. Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet, Touriga Nacional. 14% Vol. Oferta do produtor.
Vermelho-escuro. Aroma frutado, de morango em compota, marcado por notas untuosas e torradas. Na boca, perfeitamente polido, redondo, com um traço vegetal e de especiaria.
Vermelho-escuro. Aroma frutado, de morango em compota, marcado por notas untuosas e torradas. Na boca, perfeitamente polido, redondo, com um traço vegetal e de especiaria.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Notas Amadoras: Quinta da Rigodeira Baga 2005
Aliança. DOC Bairrada. 13,5% Vol. 4,30 €.
Cor púrpura. Aroma de fruta perfumada, com notas de fumo. Sabor arredondado, textura suave.
Cor púrpura. Aroma de fruta perfumada, com notas de fumo. Sabor arredondado, textura suave.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Modus operandi
| Como se faz |
Visita à Quinta do Monte d’Oiro
Um lugar de civilização. Lugar também de vento forte e constante, daí o nome da freguesia: Ventosa. A poucos quilómetros, é a Abrigada. 20 ha de vinhas em produção. 60% é Syrah. Todo o vinho do Monte d'Oiro tem um conceito gastronómico. De cada um que se provava, a Graça dizia com que comida casaria. Contou que Bento dos Santos é generoso, cultiva o prazer da partilha. Assim, na companhia dele, tem provado os melhores vinhos do mundo. Segundo ela, Bento dos Santos diz que o vinho é para beber, não para provar. Diz também que os vinhos do Monte d'Oiro são naturalmente gastronómicos. Ao fundo da adega, velando as pipas, estão duas estátuas (de madeira, creio): uma figura de mulher, representando a Arte, e uma de homem, representando o Engenho. Desde que ali chegou, em 2005, a Graça foi aligeirando e apurando o Madrigal, que achava pesado. Fê-lo aos poucos, porque foi preciso ir convencendo Bento dos Santos das suas razões. É ele quem idealiza os vinhos. Graça é a técnica que os executa, também tendo sua palavra. Em geral, não gosta dos brancos de Viognier dos outros. Diz que se trata de uma casta difícil de criar e de trabalhar. Como a Fernão Pires, facilmente origina vinhos perfumados em excesso, fáceis, oferecidos. Quanto a ela, prefere discrição e elegância. É a marca da Quinta do Monte d'Oiro.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Notas Amadoras: Touriz 2006
Casa Santos Lima. Regional Estremadura. Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz. 13% Vol. 9 € (em restaurante).
Vermelho-escuro. Aroma vivo de fruta vermelha, como ginjas e morangos, de compotas e de bolos, temperado por uma nota vegetal. Na boca, aveludado e fresco.
Vermelho-escuro. Aroma vivo de fruta vermelha, como ginjas e morangos, de compotas e de bolos, temperado por uma nota vegetal. Na boca, aveludado e fresco.