Aliança. DOC Bairrada. 13,5% Vol. 4,30 €.
Cor púrpura. Aroma de fruta perfumada, com notas de fumo. Sabor arredondado, textura suave.
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Modus operandi
| Como se faz |
Visita à Quinta do Monte d’Oiro
Um lugar de civilização. Lugar também de vento forte e constante, daí o nome da freguesia: Ventosa. A poucos quilómetros, é a Abrigada. 20 ha de vinhas em produção. 60% é Syrah. Todo o vinho do Monte d'Oiro tem um conceito gastronómico. De cada um que se provava, a Graça dizia com que comida casaria. Contou que Bento dos Santos é generoso, cultiva o prazer da partilha. Assim, na companhia dele, tem provado os melhores vinhos do mundo. Segundo ela, Bento dos Santos diz que o vinho é para beber, não para provar. Diz também que os vinhos do Monte d'Oiro são naturalmente gastronómicos. Ao fundo da adega, velando as pipas, estão duas estátuas (de madeira, creio): uma figura de mulher, representando a Arte, e uma de homem, representando o Engenho. Desde que ali chegou, em 2005, a Graça foi aligeirando e apurando o Madrigal, que achava pesado. Fê-lo aos poucos, porque foi preciso ir convencendo Bento dos Santos das suas razões. É ele quem idealiza os vinhos. Graça é a técnica que os executa, também tendo sua palavra. Em geral, não gosta dos brancos de Viognier dos outros. Diz que se trata de uma casta difícil de criar e de trabalhar. Como a Fernão Pires, facilmente origina vinhos perfumados em excesso, fáceis, oferecidos. Quanto a ela, prefere discrição e elegância. É a marca da Quinta do Monte d'Oiro.
sexta-feira, 25 de novembro de 2011
Notas Amadoras: Touriz 2006
Casa Santos Lima. Regional Estremadura. Touriga Nacional, Touriga Franca, Tinta Roriz. 13% Vol. 9 € (em restaurante).
Vermelho-escuro. Aroma vivo de fruta vermelha, como ginjas e morangos, de compotas e de bolos, temperado por uma nota vegetal. Na boca, aveludado e fresco.
Vermelho-escuro. Aroma vivo de fruta vermelha, como ginjas e morangos, de compotas e de bolos, temperado por uma nota vegetal. Na boca, aveludado e fresco.
terça-feira, 22 de novembro de 2011
Notas Amadoras: Quinta da Fonte do Ouro 2006
Soc. Agr. Boas Quintas. DOC Dão. Trincadeira, Jaen, Rufete. 12,5% Vol. Cerca de 4,50 €.
Cor púrpura. Rico em aromas, lembra, aos poucos, caramelos de fruta, ameixa, especiarias, pêra, o perfume da bergamota. Na boca, leveza, frescura, uma textura polida, com acidez e taninos sensíveis.
Cor púrpura. Rico em aromas, lembra, aos poucos, caramelos de fruta, ameixa, especiarias, pêra, o perfume da bergamota. Na boca, leveza, frescura, uma textura polida, com acidez e taninos sensíveis.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
Notas Amadoras: Dom Martinho 1998
Soc. Agr. Quinta do Carmo. Regional Alentejano. Sem informação de castas. 13% Vol. 10 € (em restaurante).
Vermelho-escuro transparente. Tinha o grato perfume do vinho velho, mas já declinando. À mesa, ainda se mostrou capaz, refrescando e agradando bem a boca.
Vermelho-escuro transparente. Tinha o grato perfume do vinho velho, mas já declinando. À mesa, ainda se mostrou capaz, refrescando e agradando bem a boca.
terça-feira, 8 de novembro de 2011
Atrás dos fantasmas
Não há muito tempo, por razões que não vêm ao caso, fui à procura de um homem que não conhecia, a quem pretendia falar. «Fui à procura» é como quem diz, porque eu nem sequer me levantei. Pouco mais sabia dele do que o nome. Fiz pesquisas, inferências, conjecturas. No fim, enviei um e-mail. Poucos minutos depois, na volta do correio, chegava uma mensagem lapidar: — «Ex.mo Senhor: O Dr. A. C. faleceu em Janeiro de 2003.»
Quando, no começo do Verão, fui à procura (por assim dizer) de certo branco esquisito, muito famoso e apetecido no seu tempo, não quiseram dar-me a notícia de chofre. Foi preciso levantar-me e rumar à Casa das Gaeiras para perceber que andava atrás de outro fantasma.
A velha propriedade de muros amarelo-ocre da vila das Gaeiras, no concelho de Óbidos, tem uma história que se perde no tempo — e na Internet, onde a informação sobre ela é escassa e pouco exacta. Por conseguinte, talvez seja de interesse a publicação de uma pequena cronologia da Casa das Gaeiras, que alinhavei cruzando a genealogia dos seus senhores, os materiais e depoimentos lá recolhidos e as fontes digitais.
Bem diferente consta que era o antigo branco das Gaeiras. Em 2002, no «Guia Repsol», o Prof. Virgílio Loureiro apresentava-o como uma referência, «parte da história do vinho em Portugal»:
Quando, no começo do Verão, fui à procura (por assim dizer) de certo branco esquisito, muito famoso e apetecido no seu tempo, não quiseram dar-me a notícia de chofre. Foi preciso levantar-me e rumar à Casa das Gaeiras para perceber que andava atrás de outro fantasma.
| A Casa das Gaeiras |
1720
Construção da Casa das Gaeiras. O seu fundador, um comerciante hamburguês, consagra-a ao fabrico de curtumes.
C. 1800
António Gomes da Silva Pinheiro (1763-1834), médico e militar, adquire a propriedade.
1803-1858
Vida de José Maria Gomes da Silva Pinheiro, filho de António Gomes da Silva Pinheiro.
1850-1904
Vida de José Maria Gomes Viseu da Silva Pinheiro, filho de José Maria Gomes da Silva Pinheiro. Segundo um folheto da própria Casa das Gaeiras, a sua parte mais moderna é construída «mesmo no final do século XIX, bem como os vastos jardins (…) vinhas e instalações vinárias». Tudo indica que é este Silva Pinheiro quem impulsiona a produção vitivinícola. Muitos prémios obtidos (quiçá os primeiros) em exposições como a de Filadélfia são do seu tempo. O mesmo folheto reproduz um anúncio antigo, onde se lê: — «Bebam Gaeiras, o vinho de meza superior. Comprovado nos 25 primeiros prémios obtidos nas exposições nacionais e estrangeiras desde 1876».
1874-1957
Vida de Emília Garrido Pinheiro, filha de José Maria Gomes Viseu da Silva Pinheiro.
1908-1998 (?)
Vida de José Pinheiro Ferreira Pinto Basto, filho de Emília Garrido Pinheiro. Enólogo diplomado em Montpellier, onde terá sido colega de António Porto Soares Franco (1906-1968), da José Maria da Fonseca.
1934-2008Nos últimos anos, a vitivinicultura das Gaeiras foi confiada aos técnicos da Parras, empresa ligada à Quinta do Gradil, por sinal outra casa com tradição na Estremadura, que produz um conjunto de vinhos passível de agradar a todos os gostos.
Vida de Frederico Eduardo Ferreira Pinto Basto Lupi, sobrinho de José Pinheiro Ferreira Pinto Basto.
Bem diferente consta que era o antigo branco das Gaeiras. Em 2002, no «Guia Repsol», o Prof. Virgílio Loureiro apresentava-o como uma referência, «parte da história do vinho em Portugal»:
«[O Gaeiras branco] ainda hoje é feito à moda antiga, fermentando em tonéis e estagiando sobre a “mãe” durante vários meses. Com uma cor amarelo palha e notas fumadas, é um vinho para conhecedores, com aromas resinosos e de querosene, bom corpo e excelente acidez, que tem, por vezes, um envelhecimento nobre em garrafa.»A tipicidade do Gaeiras provinha das uvas de Vital, da influência marítima e, com certeza, da «moda antiga». Hoje, a Vital deu lugar a outras castas. A moda antiga perdeu para as modas novas. Afinal, o moderno Casa das Gaeiras está como nós: resta-lhe a proximidade do mar e os fantasmas do que se vai perdendo. É a vida.
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Notas Amadoras: Pedra Basta 2008
Sonho Lusitano Vinhos. Regional Alentejano. Trincadeira, Aragonez, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon. 13,5% Vol. 16,50 € (em restaurante).
Cor púrpura. Aroma doce, gulosinho, da fruta e da madeira. Depois, revela-se um alentejano fresco, todo macio, saboroso, de cauda longa.
Cor púrpura. Aroma doce, gulosinho, da fruta e da madeira. Depois, revela-se um alentejano fresco, todo macio, saboroso, de cauda longa.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
Notas Amadoras: Vinha do Mouro 2008
Miguel Louro. Regional Alentejano. Trincadeira, Aragonez, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon. 14% Vol. 10 € (em restaurante).
Cor púrpura. Aroma de fruta, temperado de café, baunilha, uma nota mentolada. Corresponde na boca, cremoso, harmonioso e agradável.
Cor púrpura. Aroma de fruta, temperado de café, baunilha, uma nota mentolada. Corresponde na boca, cremoso, harmonioso e agradável.
sexta-feira, 14 de outubro de 2011
Retrato do amador enquanto farroupilha
Eu estava miseravelmente despenteado quando a D. Leonor Freitas apareceu, digna e séria, no seu terraço sobre os vinhedos de Fernando Pó. Aliás, o que eu estava era desgrenhado de todo. Mal-amanhado, no geral, com umas calças de ganga esgaçadas, um pólo que não me assenta, a face suada, as barbas empoeiradas — e o cabelo ridículo.
D. Leonor cumprimentou-me com uma expressão intrigada. Na certa, perguntava-se o que fazia em sua casa o cavalheiro da triste figura. Como percebesse a hesitação da patroa, o viticultor Nuno Rodrigues foi dizendo que estávamos a começar as provas, depois de uma volta de jipe pelas vinhas. «Janelas abertas, golpes de vento, daí o cabelo», pensei eu, mas comentei que o passeio fora excelente.
Na companhia de Nuno Rodrigues, vi os campos da Casa Ermelinda Freitas, variados nas castas, nas técnicas, no solo, na altitude, na idade. Pude mesmo, cruzando a Quinta da Mimosa, admirar as velhas cepas de Castelão Francês, plantadas em 1952.
Entretanto, o viticultor fazia boa conversa. Convencido de que a cultura da vinha tem um aspecto místico, ele crê que, embora se conheça com razoável detalhe a sua composição química, há no vinho um pequeno reduto de mistério, onde é possível que se esconda o que separa o vulgar do sublime. A sorte e o imponderável também fazem o vinho.
Não tardou que D. Leonor, vencendo a estranheza do farroupilha, entrasse a falar com entusiasmo e largueza sobre o legado familiar, o sucesso fulgurante do negócio, a urgência de se dignificar o trabalho rural. Disse, a propósito, que quer ser uma «rural moderna»; e, apesar de gostar muito de todos os seus vinhos de casta, quer também continuar a ser «a senhora do Castelão de Palmela».
A mim, impressionou-me a mulher enlevada que contou como acompanhou o crescimento da primeira vinha como o de um filho. Não me impressionou menos a sua superior discrição: D. Leonor nunca olhou para o meu estúpido cabelo.
D. Leonor cumprimentou-me com uma expressão intrigada. Na certa, perguntava-se o que fazia em sua casa o cavalheiro da triste figura. Como percebesse a hesitação da patroa, o viticultor Nuno Rodrigues foi dizendo que estávamos a começar as provas, depois de uma volta de jipe pelas vinhas. «Janelas abertas, golpes de vento, daí o cabelo», pensei eu, mas comentei que o passeio fora excelente.
Na companhia de Nuno Rodrigues, vi os campos da Casa Ermelinda Freitas, variados nas castas, nas técnicas, no solo, na altitude, na idade. Pude mesmo, cruzando a Quinta da Mimosa, admirar as velhas cepas de Castelão Francês, plantadas em 1952.
Entretanto, o viticultor fazia boa conversa. Convencido de que a cultura da vinha tem um aspecto místico, ele crê que, embora se conheça com razoável detalhe a sua composição química, há no vinho um pequeno reduto de mistério, onde é possível que se esconda o que separa o vulgar do sublime. A sorte e o imponderável também fazem o vinho.
Não tardou que D. Leonor, vencendo a estranheza do farroupilha, entrasse a falar com entusiasmo e largueza sobre o legado familiar, o sucesso fulgurante do negócio, a urgência de se dignificar o trabalho rural. Disse, a propósito, que quer ser uma «rural moderna»; e, apesar de gostar muito de todos os seus vinhos de casta, quer também continuar a ser «a senhora do Castelão de Palmela».
A mim, impressionou-me a mulher enlevada que contou como acompanhou o crescimento da primeira vinha como o de um filho. Não me impressionou menos a sua superior discrição: D. Leonor nunca olhou para o meu estúpido cabelo.
quarta-feira, 5 de outubro de 2011
Notas Amadoras: Quinta da Alorna Castelão 2001
DOC Ribatejo. 12,5% Vol. 14,5 € (em restaurante).
Vermelho-escuro. Um perfume afinado de framboesas, tomate em compota, chocolate. Fresquíssimo, longo, delicioso de beber.
Vermelho-escuro. Um perfume afinado de framboesas, tomate em compota, chocolate. Fresquíssimo, longo, delicioso de beber.
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
Notas Amadoras: Casa Ermelinda Freitas Cabernet Sauvignon 2009
Regional Península de Setúbal. 14,5% Vol. Oferta do produtor.
Vermelho-escuro. De aroma, é um Cabernet Sauvignon como vem nos livros: fruta e pimento verde. O sabor é consonante, equilibrado e muito agradável.
Vermelho-escuro. De aroma, é um Cabernet Sauvignon como vem nos livros: fruta e pimento verde. O sabor é consonante, equilibrado e muito agradável.
quinta-feira, 22 de setembro de 2011
Notas Amadoras: Quinta do Ribeirinho Primeira Escolha 2003
Luis Pato. Regional Beiras. Baga, Touriga Nacional. 14% Vol. Oferta.
Cor púrpura viva. Aroma tão frutado quanto balsâmico, com um fumo de especiaria. No beber, fresco e gastronómico. Tinha saúde para durar.
Cor púrpura viva. Aroma tão frutado quanto balsâmico, com um fumo de especiaria. No beber, fresco e gastronómico. Tinha saúde para durar.