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segunda-feira, 4 de abril de 2016

Quinta de S. Francisco 2010

Amigos leitores: é Primavera; e nós estamos vivos.



Comp. Agr. do Sanguinhal. DOC Óbidos. Castelão, Aragonez, Touriga Nacional. Miguel Móteo (enol.). 13,5% vol. 4,99 € (Intermarché).

Notas aromáticas de pimento {verde}, fruta silvestre, resina {de pinheiro}, After Eight Mint Chocolate Thins e café. Aveludado (mas ainda com uma suave rugosidade, e tintureiro, descobre-se nos dentes), fino, de contornos nítidos, frutado, com um bom travo vegetal.

quinta-feira, 31 de março de 2016

Terra d'Alter Reserva 2012

Ih... deixei-me hibernar. Granda urso.



Terras de Alter, Comp. de Vinhos. Regional Alentejano (Fronteira). Trincadeira, Tinta Caiada, Aragonez e outras de vinhas velhas. Peter Bright (enol.). 15% vol. Cerca de 14 € (Café Alentejo).

Aroma complexo, insinuante, de flores, frutos e plantas silvestres, com notas balsâmicas e uma exalação de perfume feminino. Grande na boca, em estrutura, sabor e final. Seriamente bom.

quinta-feira, 15 de outubro de 2015

Quinta do Boição 2000


Caves Velhas. Regional Estremadura (Bucelas). Trincadeira, Castelão, Tinta Miúda, Camarate. 13% vol. 1 € (Caves Velhas).

Um bouquet muito capaz, com notas aromáticas de couro, compota, licor, flores, plantas balsâmicas, eucalipto, unto, cogumelos, osmazoma, fumo, bacon, caramelo tostado etc. Boa acidez e bom travo.

Dê-se-lhe tempo! Nisto de vinhos velhos (e nos novos, igual; e nos whiskies; e em tudo), nem hesitações, nem precipitações. Há que deixá-los perder o pivete da garrafa, assentar e abrir. Que é como quem diz, não entrar a matar. Um bom princípio geral.

Custa um euro (o negócio é duas garrafas, dois euros) na Enoteca das Caves Velhas. O Casal da Eira, também ali à venda, já se atira aí prò euro e meio. Mas é preciso ver que é em Tetra Brik.

quarta-feira, 2 de setembro de 2015

JA 2011


Um Bife à Café Lisboa — reencarnação do vetusto Bife à Marrare, com «um molho de carne à séria» — um caldo feito com os ossos e as aparas da carne, ligado com um tantesquinho de natas, de mostarda ou de manteiga — e uma garrafa de JA tinto, sob os tectos augustos do Teatro Nacional de São Carlos. Um sopro de civilização na choldra ignóbil.


Quinta do Monte d'Oiro. Regional Lisboa (Alenquer). Syrah. Graça Gonçalves (enol.) (?). 13% vol. 15 € (Café Lisboa).

Com notas aromáticas lembrando ameixas e cerejas, mas também osmazoma e fumo, está um tinto delicado e elegante, de um brilho palatável — quer dizer, magicando na boca uma sensação de brilho. Supinamente gastronómico, como tinha de ser um vinho produzido por José Avillez e José Bento dos Santos na Quinta do Monte d'Oiro.

quarta-feira, 30 de julho de 2014

O perfume do tempo

«The business of life is the acquisition of memories. In the end, that's all there is.» O negócio da vida é a aquisição de memórias. No fim, é tudo o que há.

A cogitação é de Mr. Carson, mordomo — e adegueiro, e escanção — de Downton Abbey. Havemos de ir a Yorkshire, shall we?

Aí ficam duas aquisições recentes. O Casal da Azenha Reserva Velho 1960 foi uma alegria que o Barrete Saloio nos deu. Uma cortesia entre Inácios, para nos consolar da falta do Morgado de Bucelas.

Aroma gordo, balsâmico, de café, carne, especiarias e sei lá
que mais. Excelente com o toucinho do céu da D. Fernanda.

Essoutra memória, o José de Sousa 1998, adquiri-a particularmente, numa tardinha de domingo. No mesmo dia, ao almoço, tivemos Tapada do Chaves 2000 branco. Ambos agradaram muito. Como notou a dona da casa, tinham perfume.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Porta dos Cavaleiros 2010

Caves São João – Soc. dos Vinhos Irmãos Unidos. DOC Dão. Touriga Nacional, Tinta Roriz, Alfrocheiro. José Carvalheira (enol.). 13% vol. 2,29 € (Pingo Doce).

Isso que é vinho de cabra-macho! Vinho vinoso, dãonairoso, com bons aromas de fruta vinhácea e vegetação beiroa. Um clássico confiável, logo lídimo constituinte do nosso cânone vinário. Tomáramos umas Caves São João em cada esquina deste País das Uvas.

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Selecção de Enófilos Palmela Reserva 2006

Enoport. DOC Palmela. Castelão. 13% vol. 3,59 € (Intermarché).

Ao deitá-lo no copo de uma comensal, notei que era transparentezinho. Mais notei que não só cheirava como sabia a After Eight Mint Chocolate Thins. Hostiazinhas de chocolate de menta After Eight. Sim, sim. Oh, coisinha boa.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Castello d'Alba Vinhas Velhas Grande Reserva 2011

Digo eu assim para um velho amigo: «Ai queres vir jantar cá a casa, meu menino? Então, faz favor, garrafinhas de vinho, somente acima de cinco euros.» (Velhos amigos têm desconto.) «Por exemplo, tanto um Duas Quintas como um Barca Velha cumprem o requisito, porquanto custam ambos mais de cinco euros. Fica ao teu critério.» Não gosto de ser impositivo.

Ele, que é danado, acertou na mosca, apresentando-se aqui com uma garrafa deste Castello d'Alba Vinhas Velhas Grande Reserva 2011, mais outra daquele obscuro tintão, Horta do Bispo 2005 (ainda à venda no Jumbo!)



VDS – Vinhos do Douro Superior. DOC Douro. Tinta Amarela, Tinta Barroca, Tinta Francisca, Tinta Roriz, Touriga Franca, Touriga Nacional, Sousão. Rui Madeira (enol.). 14,5% vol. Cerca de 10 €.

Grande vinho. Possante, porventura ainda insondável, mas muito rico, muito longo e muito bom. A mim, não me cheirou senão a perfume de mulher ― e a vinho. Palavra de honra. O meu camarada evocou móveis antigos e óleo de cedro. (É proprietário...) Mais tarde, tomou-me uma inspiração de crítico em delirium tremens: Portentosa figura, feminilmente perfumada e oculta em capote de cetim, com óleo de cedro lustrando aparador em pau-preto. Crítico: vai buscar.

quinta-feira, 3 de outubro de 2013

Duas Pedras 2011

Sonho Lusitano Vinhos. Regional Alentejano. Touriga Nacional, Syrah, Viognier. Rui Reguinga (enol.). 14,5% vol. 5,89 € (Jumbo).

Como a frescura da Serra lhes não bastasse, Mayson e Reguinga ajuntaram às castas negras deste tinto um pouco de Viognier, à moda do Côte-Rotie e do Monte d'Oiro*. Oh, vinho raro! Oh, formosura! Oh, pureza! Eia, Serra! Hup-lá-hô, sensibilidade enológica! (Enológica, ouviram? Enológica: ramo da filosofia vinícola que visa determinar o que é verdadeiro.) Tanto engraçaram contigo, Duas Pedras, o lacão assado no forno como o arroz de favas com cacholeira e chouriço mouro de Portalegre.

* Segundo os franceses, a casta Viognier acresce à Syrah finesse e aroma. Jancis Robinson, citando vinicultores da Austrália e da Califórnia, diz que «também ajuda a estabilizar a cor do vinho e aprofunda a sua textura.»

sábado, 21 de setembro de 2013

Monte da Esperança 2008


Mundo Salgueiro. Regional Alentejano (Esperança). Aragonez, Trincadeira, Alicante Bouschet, Cabernet Sauvignon. Rui Reguinga (enol.). 14,5% vol. 12 € (Restaurante Solar do Forcado, Portalegre).

Escuro, denso, profundo, aromático, forte. Perfeitamente afinado com o lombelo de touro de lide que comemos. Eis um vinho de pasto, gerado na Esperança da Serra de São Mamede.

quarta-feira, 18 de setembro de 2013

Folha do Meio Reserva 2008


Terrenus Veritae. Regional Alentejano (Alegrete). Touriga Nacional, Syrah, Alicante Bouschet, Aragonez. Paolo Fiuza Nigra (enol.). 14,5% vol. 8,49 € (Intermarché).

Um tinto cheiroso, civilizado (não obstante o volume capitoso), verdadeiro, como a Serra. Cauda longa como a de uma pega-rabuda. Leia-se o texto de Pedro Garcias no Fugas, que me fez desejar ver Alegrete e provar este vinho de vinhas velhas.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Terra Franca Garrafeira 1987


Sogrape. DOC Bairrada. 12% vol. 8 € (Adega do Albertino, Imaginário, Caldas da Rainha).

Vinte e seis anos aquela garrafa esperou até que a mandámos abrir no início de uma tarde mansa de férias, numa terra curiosamente chamada Imaginário. O conteúdo, um veludo com aromas delicados, lembrando mel e chocolate. Tão bom e convivial que gostou de tudo: um queijinho de meia cura, óptimos pães de trigo e de milho, a azeitona bem temperada e um soberbo prato de polvo, ambos guarnecidos com alhinho, com que o vinho pacientíssimo também se entendeu. Oito euros... Só no Imaginário.

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Reguengos Garrafeira dos Sócios 2003


Coop. Agr. de Reguengos de Monsaraz. DOC Alentejo. Aragonez, Trincadeira, Castelão. 14% vol. Cerca de 16,50 € (Intermarché).

Deixámos que acumulasse fantasmas até um domingo de neblina, apropriado e frio, em pleno Agosto. A garrafa esvaziada conserva essas marcas no peito e, no fundo, o último ai de um bouquet maduro e licoroso. Enquanto bebíamos, mulher amada, pensei em Rilke: dez anos não são nada.

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

Casal da Azenha Reserva Velho 1990


António Bernardino Paulo da Silva (Azenhas do Mar). 12,5% vol. Sem mais indicações. 3 € (produtor).

Um Casal da Azenha como novo, salvo seja, mas muitíssimo melhor (e pelo inacreditável preço de três euros): os vários aromas, mais finos, mais perfeitos, estão graciosamente entrelaçados.

É por afinidade que se harmoniza com um feijão verde à mediterrânea, derivação cá de casa do esparguete à bolonhesa, com um molho de tomate verdadeiro, azeite dos Avós e orégãos colhidos pela Tia Maria. Imagine-se. Depois, com o Sol mais baixo no céu, vá-se até à beira-mar e confira-se que são pilritos-das-praias as simpáticas avezinhas que andam debicando pelas pocinhas nas rochas, fugindo a correr do alcance do mar.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Terras do Pó Reserva 2009


Casa Ermelinda Freitas. Regional Península de Setúbal. Castelão. Jaime Quendera (enol.). 14% vol. Cerca de 6 € (Intermarché).

Insinuante Castelão de Fernando Pó, com aquela marca novo-mundista de Quendera (a marca quenderista, digamos), exemplarmente condensada em máximas enológicas — que afinal nos vêm dos franceses — como «O que tu queres sei eu» e «Gostas pouco, gostas».

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Terras de Santo António 2006


Soc. Agr. da Quinta de Santo António. DOC Dão (Fornos de Maceira). Touriga Nacional, Alfrocheiro, Tinta Roriz. Paolo Fiuza Nigra (enol.). 13% vol. 2,29 € (Leclerc).

Uma pérola de proporção, graça e bondade. Transita deslizando — ou saltitando? — entre a mesa do jantar e um serão de Britcom.

sábado, 1 de junho de 2013

Novas notas amadoras

E agora, algo completamente diferente.


Dona Ermelinda 2010

Casa Ermelinda Freitas. DO Palmela. Castelão, Cabernet Sauvignon, Touriga Nacional. Jaime Quendera (enol.). 14% vol. Cerca de 3 € (Pingo Doce).

Transporta balidos distantes, caracteres genuínos, vibrações suaves. Palmela leal.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Vinhas Altas Reserva 2004

CAVIPOR, Caves Monteiros, Vinícola de Penafiel. Regional Minho. Sousão. Osvaldo Amado (enol.) (?). 12,5% vol. 2,99 € (Intermarché).
Patê, rosmaninho, fumo. Grande frescura. Um carácter raro.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Adega de Palmela 2011 (tinto)

Por este e por outros é que ainda não partimos da agreste praia da Ericeira, num belo iate triste chamado D. Amélia.

O tinto em questão recebeu medalha de prata no Concurso Nacional de Vinhos 2012. A garrafa não o ostenta. A sua apresentação é modesta e apelativa. Consta que é conhecido por «Palmela do rótulo roxo». Custa 1,89 €. 5 reais, gente boa.

Por cá, ainda há tempo para o açambarcar no Pingo Doce. Está a 1,49 €. O preço da prata da casa.


DO Palmela. Castelão, Cabernet Sauvignon, Trincadeira, Aragonez. Luís Silva (enol.) (?). 13,5% Vol. 1,49 € (Pingo Doce).
Um aroma limpo, de fruta e especiaria. Com tempo, chega a lembrar sericaia* — a canela, a ameixa em calda. De sabor, frutado, uma vaga doçura, acidez e taninos bem doseados. Bom e corredio.

* Uma curiosidade: sericaia provém do malaio «srikaya», que designa uma iguaria muito fina.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Fontanário de Pegões 2009 (Tinto)

O Fontanário de Pegões Velhos, erigido cerca de 1728, é outra obra aquária do rei que, ao que parece, abominava o vinho.

Coop. Agr. de Santo Isidro de Pegões. DO Palmela. Castelão, Touriga Nacional, Cabernet Sauvignon. Jaime Quendera (enol.). 13,5% Vol. 2,48 € (Continente).
Faz pensar em fruta passa e alguma erva aromática. Acho que tem o que se chama de aroma vinoso, ou seja, cheira a vinho, sem notas, nuances nem toques. De igual modo, a acidez, os taninos sensíveis, embora suaves, e o sabor — a vinosidade? — não são propriamente ao jeito moderno. Gostei.